Os imigrantes vindos da Ásia pagam até 10 mil euros para chegarem ao Alentejo.

Este foi o valor médio apurado pelo estudo O impacto da imigração no sector agrícola: o caso do Alentejo, de João Carvalho e Sandro Teixeira, um projeto financiado pelo Fundo de asilo, Migrações e Integração, do Alto Comissariado para as Migrações.

O grande enclave da Costa Vicentina está associado à necessidade de frutos vermelhos, que requer muita mão-de-obra. É uma espécie de plataforma giratória de mão-de-obra: as pessoas entram em Portugal para aceder à regularização, mas o objetivo não é ficar em Odemira, afirma um dos investigadores ao jornal Público.

No Alentejo operam redes que estão estabelecidas nos países de origem e que tratam do processo de imigração. São os imigrantes que suportam os custos da regularização, da sobrelotação da habitação e o custo da desregulamentação do mercado de trabalho, garantem os investigadores.

Os imigrantes imaginam o Eldorado da Suécia e não o ordenado mínimo de 600 euros que vêm ganhar em Portugal, onde podem regularizar-se, se conseguirem integrar o mercado de trabalho. A vulnerabilidade das pessoas quando estão ao serviço destas empresas é elevada, roça o ilegal", acrescenta João Carvalho.

O estudo foi baseado em entrevistas e questionários online de trabalhadores estrangeiros. Por outro lado, os investigadores não conseguiram obter respostas de empresas de frutos vermelhos.

O concelho de Odemira vive por estes dias uma situação complicada na gestão da pandemia de covid-19. Na origem de vários surtos estão grupos de imigrantes ilegais, um problema conhecido há vários anos, mas que se agora começa a ser falado pelas autoridades, sobretudo por causa das más condições em que estas pessoas vivem.

A TVI esteve numa pensão em Vila Nova de Milfontes, um dos locais que alberga imigrantes da Ásia para trabalhar nas explorações agrícolas do Alentejo.

Alguns imigrantes mostraram as condições desumanas em que vivem: muito difícil viver em Portugal, mas tenho que ficar se quero receber residência", disse Sumit, de 30 anos, que paga 100 euros por mês por um quarto que partilha com mais 15 a 20 pessoas.

Se enquanto agricultor sou feliz? Mesmo se não houvesse pandemia não sou feliz porque não estou a receber um valor justo", desabafou outro trabalhador.

Redação / RL