O Comité Técnico Conjunto da Opep+ recomendou o alargamento da redução da produção de petróleo até final de 2020 e ainda uma redução adicional até ao termo do segundo trimestre deste ano, informou hoje o ministro da Energia argelino.

De terça a quinta-feira, o Comité Técnico esteve reunido na sede da OPEP, em Viena, para uma sessão extraordinária dedicada à epidemia de coronavírus na China e seu potencial impacto no mercado mundial de petróleo.

A OPEP+ congrega os 13 membros do cartel e outras 10 potências na produção de petróleo, incluindo a Rússia.

Estes países estão vinculados desde o final de 2016 a um acordo para limitar a produção, por forma a estabilizar os preços do petróleo face a um excesso de oferta.

A epidemia de coronavírus tem um impacto negativo nas atividades económicas, em particular nos setores dos transportes, turismo e indústria, particularmente na China", indicou o ministro da Energia da Argélia, Mohamed Arkab.

Essa epidemia, prosseguiu, tem "um efeito negativo na procura e nos mercados de petróleo". Ou seja, se produção de mantiver, descendo a procura, só pela via da redução de produção se podem manter preços. 

O Comité Técnico recomendou assim "estender até ao final de 2020 o atual contrato de redução de produção (...) e prosseguir com uma redução adicional na produção até o final do segundo trimestre de 2020", precisou o ministro argelino.

Arkab referiu que "apoia as conclusões do Comité Técnico" e prometeu continuar a consultar os países membros da OPEP+ "para buscar soluções consensuais", de maneira a "estabilizar rapidamente o mercado de petróleo".

Como principal importador e consumidor mundial de petróleo, a China é um elemento-chave do mercado.

Esta recomendação da OPEP+ surge numa altura em que 34.546 pessoas foram infectadas pela epidemia do novo coronavírus na China continental, das quais 722 morreram, segundo os últimos dados oficiais divulgados.

Os preços do petróleo, no nível mais baixo desde janeiro de 2019, estão a afundar em resultado dos receios de uma desaceleração na economia chinesa.

O preço de barril de Brent já desceu abaixo da barreira simbólica dos 60 dólares (54,47 dólares) tendo, num mês, perdido 11,9%, registando sua maior queda desde novembro de 2018.