O Banco de Portugal publica esta quinta-feira o seu Boletim Económico de Outono, com as projecções macroeconómicas para a economia portuguesa, que deverão ser piores que o cenário traçado pela troika e uma análise à situação financeira, económica e política.

O documento que será conhecido hoje é publicado quatro vezes ao ano, de forma trimestral e aponta estimativas para as diferentes componentes da economia, e ainda uma análise da economia e artigos dos técnicos do Banco de Portugal.

A divulgação deste boletim surge poucos dias antes do Governo apresentar a proposta de lei do Orçamento do Estado para 2012, que terá de acomodar várias exigências da troika composta pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional, no âmbito do programa de assistência financeira.

No entanto, o governador do Banco de Portugal já admitiu que as expectativas da instituição relativamente à evolução da economia portuguesa deverão ser mais negativas que no anterior boletim (contracção de 2 por cento do PIB este ano e de 1,8 em 2012), que era apenas mais optimista que a troika em duas décimas relativamente a 2011 (troika aponta 2,2 por cento de contracção este ano).

A degradação apontada por Carlos Costa, na passada semana, para o próximo ano está em linha com o também assumido pelo Governo, de que o próximo ano será pior e que o Executivo estará a trabalhar já com base numa recessão de 2,2/2,3 por cento do PIB (como assumido pelo primeiro-ministro no último debate quinzenal no Parlamento).

O agravamento de algumas medidas de austeridade previstas no programa de ajuda internacional, que se juntam aos efeitos das medidas já tomadas este ano e à conjuntura internacional adversa a uma economia que pretende recuperar economicamente através das exportações, podem levar a esta degradação maior que a esperada inicialmente.

Orçamento discutido hoje em Conselho de Ministros

Também esta quinta-feira, o Governo vai discutir a primeira versão do Orçamento do Estado para 2012, de acordo com o calendário de Julho definido pelo Executivo de Passos Coelho.

De acordo com o calendário definido no Conselho de Ministros de 07 de Julho, e anunciado na ocasião pelo secretário de Estado da Presidência, Luís Marques Guedes, o Orçamento do Estado deveria ser aprovado nesta reunião de hoje. No entanto, fonte governamental adiantou à Lusa que a aprovação do documento deverá ser posterior, sendo apenas discutida uma versão preliminar.

À semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, deverá ocorrer um Conselho de Ministros extraordinário só para a aprovação do documento fundamental das contas do Estado.

O prazo definido por lei para a entrega do documento na Assembleia da República é 15 de Outubro, mas como calha num sábado foi já acertado com os grupos parlamentares que essa entrega poderá ser feita na segunda-feira seguinte, dia 17.
Redação / RL