Rio Rio acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro de “pescar à linha, mudando o isco consoante o peixe” para tentar aprovar o Orçamento.  No arranque do debate na generalidade do Orçamento do Estado, o presidente do PSD afirmou que a Geringonça “não tem pernas para andar”.

[Geringonça] está sentada numa cadeira de rodas à espera que alguém a empurre e ninguém a quer empurrar”, atirou Rio.

O presidente do PSD acusou António Costa de se acantonar "à esquerda e depender de PCP e BE", e comparou o primeiro-ministro com Mário Soares.

Mário Soares traçou uma linha vermelha, percebendo que não poderia estar dependente do PCP, e neste caso, de PCP e BE", afirmou.

O líder social-democrata apontou o dedo aos seis Orçamentos aprovados pela esquerda, que atiraram Portugal “para a cauda da Europa”.

"Fomos ultrapassados no PIB per capita por países como a Estónia e Lituânia, países pobres, da antiga União Soviética, que estão na União Europeia há pouco tempo", disse.

Rui Rio afirma que a proposta de Orçamento "não responde a problemas estruturais ou conjunturais", e reforçou o ataque a aliança entre socialistas, bloquistas e comunistas.

Agora, quem manda são eles [PCP e BE]. O Governo está a pagar a fatura de ter ultrapassado a 'linha vermelha' de Mário Soares", assegurou o presidente do PSD.

Rio terminou a intervenção questionando António Costa sobre uma eventual demissão, cenário que o primeiro-ministro sempre descartou.

Como é que quer governar com este cenário e mantém a lógica de não se demitir? Está tão agarrado ao lugar que não consegue ver aquilo que todo o Portugal vê”, vincou

Na resposta a Rui Rio, Costa disse que não esperava que o deputado viesse falar de estabilidade política. 

Com toda a franqueza, era a última pessoa que eu imaginava que viesse aqui falar em estabilidade política. Mas que estabilidade tem vossa excelência para oferecer?", questionou o primeiro-ministro

Costa manifestou, ainda, “muito orgulho” por, em 2015, “ter rompido com um mito da política, que era o mito do arco da governação, que estabelecia um muro de Berlim, onde do lado de cá estavam PS, PSD e CDS, e do outro todos os excluídos da participação em responsabilidades executivas”.

Tenho muito orgulho de ter derrubado esse muro e ainda mais com o apoio do então vivo dr. Mário Soares”, afirmou.

O primeiro-ministro referiu ainda que as soluções do bloco central "enfraquecem a democracia".

Esta solução política permitiu que Portugal interrompesse 16 anos de divergência ou estagnação para começar a convergir com a União Europeia."

Ainda dirigindo-se a Rui Rio, o primeiro-ministro foi taxativo: "O meu dever é enfrentar as dificuldades e por isso eu não me demito".

Pedro Falardo / com Lusa