O Governo italiano anunciou na terça-feira à noite que não altera as suas estimativas para 2019, que preveem um défice de 2,4% do PIB, apesar das exigências de Bruxelas, que rejeitou o documento, e do risco de sanções financeiras.

Não há novidades legislativas, temos o compromisso de conter o défice" em 2,4%, disse o vice-presidente do Governo e ministro do Desenvolvimento, Luigi Di Maio, após uma reunião do Conselho de Ministros na qual ficou acordada a resposta a dar à Comissão Europeia, que será enviada pelo ministro de Economia, Giovanni Tria.

O Executivo de coligação do Movimento Cinco Estrelas e da ultradireita Liga reafirmou os números hoje à noite, poucas horas antes de expirar o prazo dado por Bruxelas, que era à meia-noite local (mais uma hora em Lisboa), para que Itália apresentasse outras previsões.

No dia 23 de outubro, a Comissão Europeia rejeitou o plano orçamental de Itália para 2019 e deu ao Governo italiano três semanas para apresentar um novo esboço orçamental, mas Roma afirmou então que não iria alterar nada.

A Itália - atualmente governada por uma coligação entre a Liga (partido de extrema-direita) e o Movimento 5 Estrelas (M5S, populista e antissistema) - é o primeiro país a ver o seu projeto orçamental 'chumbado' pela Comissão Europeia desde a implementação do "semestre europeu" de coordenação de políticas económicas e orçamentais, instituído em 2010.

O crescimento da economia italiana deverá acelerar moderadamente a partir deste ano, mas a incerteza das políticas governamentais e o planeado recuo das reformas estruturais são um mau presságio, segundo as previsões da Comissão Europeia divulgadas em 8 de novembro. Depois de ter atingido 1,6% em 2017, Bruxelas prevê que o crescimento do PIB de Itália seja de 1,1% este ano, 1,2% em 2019 e 1,3% em 2020.

Segundo as previsões da Comissão Europeia, a incerteza das políticas governamentais e o planeado recuo das reformas estruturais são um "mau presságio" para o emprego e para o crescimento potencial de Itália. O moderado crescimento nos próximos anos será sustentado por uma recuperação das exportações e aumento do gasto público, referia Bruxelas nas previsões divulgadas no dia 8, adiantando que depois de um sólido crescimento, de 1,6%, em 2017, a economia italiana desacelerou na primeira metade deste ano devido à queda das exportações e da produção industrial.

No dia seguinte à divulgação das previsões da Comissão Europeia, o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, exortou, em Roma, o Governo italiano a submeter a Bruxelas um novo plano orçamental em linha com as regras comuns europeias, advertindo que só assim Itália dissipará a atual desconfiança.

Centeno, que se tinha deslocado naquele dia a Roma para reuniões com o Governo italiano, falava numa conferência de imprensa conjunta com o ministro das Finanças italiano, Giovanni Tria, que por seu turno insistiu que "os pilares" do projeto orçamental rejeitado por Bruxelas são para "manter", ainda que manifestando abertura para prosseguir um diálogo construtivo com a Comissão Europeia.

Reconhecendo que tem noção de que a atual política orçamental italiana "preocupa os Estados-membros da Europa", Tria reiterou que "essas preocupações não são fundadas", tendo Centeno, por seu lado, apontado que "as dúvidas persistentes", nos mercados e entre os parceiros europeus, já estão a ter custos para Itália, e esse cenário só pode ser mudado com "um plano orçamental melhorado".