Já está disponível, desde terça-feira, um novo sistema que permite a particulares e empresas realizarem transferências imediatas entre contas bancárias. Para explicar o novo sistema, a diretora- adjunta do departamento de Sistemas de Pagamento do Banco de Portugal, Tereza Cavaco, esteve no espaço da Economia 24 do “Diário da Manhã”.

O pagamento imediato é mesmo imediato?

Sim. É mesmo imediato. Demora, no máximo, 10 segundos.

Este pagamento é só para transferências bancárias?

Estamos a falar só de transferências bancárias, em que um cliente ordena ao seu banco, ou ao prestador de serviços de pagamento, uma transferência imediata. E no espaço de 10 segundos o beneficiário recebe esses fundos.

Os bancos têm de aderir ao serviço? E estamos a falar só de bancos nacionais?

Sim, para já, estamos a falar de transferências entre bancos nacionais. Está disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano. A adesão ao sistema por parte dos bancos é facultativa. Neste momento, os bancos estão, gradualmente, a aumentar o grau de cobertura e a disponibilizar este serviço nos diferentes canais. Para já, não está disponível em todos os bancos, mas cremos que nos próximos meses isso vai acontecer.

Há um limite para o montante que posso transferir?

Neste momento, está definido um limite, harmonizado a nível europeu, de 15 mil euros por operação, mas no futuro este limite pode alterar-se e, até, vir a ser abolido.

Onde não podemos fazer estas transferências?

Não as podemos fazer em uma caixa automática [no multibanco] logo não as podemos fazer com cartão, seja de débito ou crédito. Esta é a diferença. É uma transferência conta a conta. Pode ser feita entre contas domiciliadas no mesmo banco ou em bancos diferentes. Terão que ser ordenadas ao balcão do banco, nos homebanking dos banco – no nosso serviço de internet do banco – e também nas aplicações dos telemóveis, a partir do momento em que o banco as disponibilizas.

Quanto é que pode custar uma transferência destas?

Os bancos definem as suas políticas comerciais livremente. Os bancos podem cobrar comissões pela realização destas transferências, mas se esse for o caso, essas comissões devem estar definidas nos preçários e serem transparentes para os clientes quando dão a ordem.

Para quem está interessado em fazer este tipo de transferências, o que deve fazer?

Deve informar-se se o seu banco – não só bancos, mas maioritariamente bancos -  já aderiu e já tem a tecnologia necessária para fazer este tipo de transferências [precisa que esteja a funcionar no homebanking ou na aplicação móvel, se não for ao balcão] e perguntar quanto custa.

Os pagamentos às empresas também podem melhorar com estas transferências?

Sim. Existem diversos tipos de pagamentos que podemos fazer com as transferências imediatas: os pagamentos entre particulares – transferências para familiares, amigos – e os pagamentos de bens e serviços. Se, por exemplo, tenho um problema em casa e vai lá um eletricista e acabado o serviço tenho que lhe pagar, as transferências imediatas têm um grande conforto e conveniência, para mim e para quem presta o serviço. [Se ambos aderiram ao sistema] , a pessoa, ao sair de minha casa, em 10 segundos, já recebeu o dinheiro e a confirmação de que eu paguei.