O Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e vários organismos financeiros internacionais defendem o prolongamento da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) até final deste ano ou 2022.

Servir a dívida tornou-se um custo socioeconómico tremendo para as nossas populações, que suportaram o custo de um aumento abrupto da despesa pública", argumentou o primeiro-ministro da Jamaica durante um encontro de alto nível que juntou o secretário-geral das Nações Unidas e vários organismos internacionais à volta da questão de como financiar o desenvolvimento no contexto da pandemia de covid-19.

Na intervenção no painel que juntou também o presidente do BAD e a diretora executiva do FMI, que defenderam a mesma coisa, Andrew Holmes disse acreditar que "existe uma sólida base para estender a DSSI até ao próximo ano e deve também ser considerada a possibilidade de expandir a lista de países elegíveis para incluir os países de médio rendimento altamente endividados".

Na segunda-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já tinha defendido a aplicação de “um novo mecanismo” destinado ao alívio da dívida dos países mais pobres, fragilizados pela pandemia.

Guterres emitiu um “apelo à ação urgente” no contexto “da pior recessão desde a Grande Depressão” e acrescentou que "os alívios suplementares e direcionados da dívida a favor dos países vulneráveis, incluindo os países com rendimentos intermédios, serão necessários em definitivo”, defendendo medidas “mais audaciosas e mais ambiciosas".

Para o presidente do BAD, a recuperação económica do continente depende de um acesso eficaz às vacinas e das soluções que forem encontradas para o problema da dívida, que deverá subir para 75% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.

África precisa de alívio da dívida, reestruturação da dívida e sustentabilidade da dívida", disse Akinwumi Adesina, vincando que sem uma realocação dos novos Direitos Especiais de Saque (DES) do FMI, no valor de 650 mil milhões de dólares (553 mil milhões de euros), os países africanos receberão apenas 3,2% desse valor, equivalente a cerca de 32 mil milhões de dólares, ou seja, 27,2 mil milhões de euros.

O FMI vai propor em junho um novo mecanismo de realocação destas verbas que leva em conta não apenas a quota no FMI, mas também as necessidades específicas de cada país, o que deverá fazer com que os países em dificuldades recebam um valor acima do que receberiam se a nova alocação fosse transferida apenas tendo em conta a quota de cada país no FMI.

A DSSI é uma iniciativa lançada pelo G20 em abril do ano passado que garantia uma moratória sobre os pagamentos da dívida dos países mais endividados aos países mais desenvolvidos e às instituições financeiras multilaterais, com um prazo inicial até dezembro de 2020, que foi depois prolongado até junho deste ano, com possibilidade de nova extensão por seis meses.

África registou mais 319 mortes associadas à covid-19 nas últimas 24 horas, para um total de 112.238 desde o início da pandemia, e 7.971 novos casos de infeção, segundo os dados oficiais mais recentes no continente.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), o número total de infetados nos 55 Estados-membros da organização é de 4.195.068 e o de recuperados nas últimas 24 horas é de 61.477, para um total de 3.754.469 desde o início da pandemia.

O primeiro caso de covid-19 em África surgiu no Egito, em 14 de fevereiro de 2020, e a Nigéria foi o primeiro país da África subsaariana a registar casos de infeção, em 28 de fevereiro.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.784.276 mortos no mundo, resultantes de mais de 127 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ JGR