É nos momentos mais difíceis que os portugueses mostram que são solidários. Há empresas que se reinventaram e estão a ajudar quem está na linha da frente no combate ao coronavírus.

Damos-lhe dois exemplos de como é possível ajudar, mesmo com dificuldades pelo meio.

Lounge Viseu: empresa de restauração, agora produz viseiras

Paulo Correia, tem uma empresa de restauração, em Viseu. Com estabelecimentos a fecharem portas, a Lounge Viseu decidiu parar até o take-away e mobilizar 30 funcionários para juntos produzirem viseiras, mesmo estando com graves quebras de faturação.

"Vi um vídeo de uns amigos, médicos, a produzirem as próprias viseiras. Achei que devia ajudar", explica Paulo Correia, proprietário da Lounge Viseu. Colocaram mãos à obra e entregam, diariamente, 200 a 300 viseiras nos hospitais de Braga, São João e Santo António, no Porto, na PSP e também nos bombeiros.

Os materiais são doados por particulares e empresas, agora a ficarem sem stock, o que preocupa o proprietário. As viseiras são desinfetadas antes de entrarem nos hospitais onde são necessárias.

Paulo Correia não sabe como vai ser o futuro da empresa a nível económico, mas sente que este era um dever maior.

"Enche-nos o coração podermos servir as pessoas desta forma. Estamos todos em pânico e preocupados mas este é um problema de todos", diz. 

(Segundo vídeo e fotos dos médicos)

Statusavaliable: empresa de tecnologia utiliza impressoras 3D para fazer viseiras

De Viseu para o Montijo, Artur Fuste, não precisou de parar a produção da sua empresa de tecnologia e arranjou tempo e espaço para ajudar os profissionais que precisam de viseiras.

"Utilizo as minhas impressoras 3D e já entreguei mais de 200 viseiras. Os acetatos e elásticos são doados por particulares", explica Artur Fuste.

Mais uma vez, estas viseiras, são distribuídas pelos hospitais e centros de saúde mais próximos, pela PSP e bombeiros.

Os profissionais reconhecem o gesto e até enviam fotografias com as viseiras já colocadas e prontas para mais um dia de serviço.

Mas Artur Fuste já pensa no futuro.

"Em breve vamos produzir uns dispositivos que permitem abrir portas sem tocarmos nas maçanetas mas também adaptadores para multiplicar o uso dos ventiladores.", afirma Artur Fuste

A criatividade e boa-vontade de vários empresários a nível nacional permitem que, pelo menos, se vão atenuando as faltas de material para os profissionais que combatem diariamente esta pandemia.

Cátia Esteves