Os nove empresários em greve de fome, desde sexta-feira, afirmaram, esta segunda-feira, que só saem da frente da Assembleia da República para o gabinete do ministro da Economia ou para “um caixão”. O grupo de empresários da restauração e discotecas continua acampado em instalações improvisadas com tendas e aquecedores, em greve de fome até que o Governo os receba para encontrarem soluções para os seus negócios, que dizem estar a ir à ruína.

Falando pelo grupo de empresários, Ricardo Tavares afirmou que estão “debilitados, mas com muita força” para continuar até que o primeiro-ministro ou o ministro da Economia os recebam.

Sentimo-nos muito debilitados. Quatro dias sem comer é muito difícil. Ontem já estiveram médicos aqui connosco e hoje também virão médicos aqui duas vezes para ver como é o nosso estado”, contou Ricardo Tavares à TVI.

Sobre se o grupo mantém contacto com os gabinetes do primeiro-ministro ou do ministro Siza Vieira, Tavares ironizou, afirmando que o ministro da Economia não respondeu aos seus pedidos porque estaria em “fim de semana prolongado”, tal como António Costa.

Sabemos que o primeiro-ministro está de fim de semana prolongado, mas temos a certeza que, ainda assim, vai ligar a televisão e ver-nos aqui em frente à Assembleia da República”, frisou.

O empresário sublinhou ainda que “existem medidas” que o Governo pode tomar para ajudar os empresários do setor da restauração e da hotelaria, apontando o dedo aos milhões aplicados pelo executivo na TAP e no Novo Banco como prova de que “há dinheiro para injetar na economia”.

O grupo, composto por oito homens e uma mulher, vai sendo saudado por pessoas que passam pelo acampamento montado em São Bento e que lhes deixam garrafões de água e chá, bem como palavras de força e de agradecimento por estarem a lutar pelos setores da restauração, discotecas e bares, cultura, eventos, alojamento e táxis.

Na quarta-feira passada, o movimento organizou uma manifestação, também em frente à Assembleia da República, que juntou várias centenas de pessoas que pediam ao Governo que as deixe trabalhar, ou, não havendo essa possibilidade, apoios a fundo perdido para fazerem face às despesas.

O movimento Sobreviver a Pão e Água endereçou, em 16 de novembro, um pedido de audiência ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao primeiro-ministro, António Costa, e ao ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira.

Dos três pedidos enviados, apenas o email dirigido ao Gabinete da Presidência obteve resposta, tendo-se concretizado, na sexta-feira, uma audiência com os representantes do movimento, Ljubomir Stanisic, José Gouveia e Manuel Salema.

O Governo anunciou, na semana passada, as medidas de contenção da pandemia da covid-19 para o novo período de estado de emergência: nas vésperas dos feriados, o comércio encerra a partir das 15:00 em 127 concelhos do continente classificados como de risco “extremamente elevado” e “muito elevado” e mantêm-se os horários de encerramento do comércio às 22:00 e dos restaurantes e equipamentos culturais às 22:30 nestes concelhos e em mais outros 86 considerados de “risco elevado”.

No dia 14 deste mês, o ministro da Economia disse que o apoio excecional aos restaurantes dos concelhos abrangidos pelo estado de emergência para os compensar pela receita perdida nestes dois fins de semana acenderá a 25 milhões de euros e será pago em dezembro.

Os dados avançados pelo ministro indicam que dos 750 milhões de euros contemplados no programa Apoiar.pt - apoio a fundo perdido destinado a micro e pequenas empresas dos setores mais afetados pela crise com quebras de faturação superiores a 25% -, 200 milhões de euros serão absorvidos pelo setor da restauração.