O líder do PSD entrou em guerra aberta com o presidente da Caixa Geral de Depósitos. Depois da resposta de António Domingues a Passos Coelho, em que negou ter tido informação privilegiada sobre o banco público antes de assumir funções, o presidente social-democrata acusa-o agora de atirar areia para os olhos dos contribuintes.

Se é para andar a atirar areia para a cara das pessoas, não valia a pena estar a pagar aos novos administradores o dobro do que pagavam aos anteriores. É um mau começo". 

O presidente da Caixa, recorde-se, vai ganhar 423 mil euros por ano mais um prémio que pode elevar o bolo até aos 634 mil euros. 

Passos Coelho deu duas alfinetadas numa só frase: uma a Domingues e outra ao Governo que quis terminar com os tetos salariais no banco público, o que foi viabiliado, com reservas, pelo Presidente da República. Quando soube depois dos salários da administração, Marcelo Rebelo de Sousa puxou as orelhas ao Executivo, pedindo que tivesse "muita atenção" aos valores

Primeiro, Passos Coelho deu uma entrevista ao Público com aquela acusação. António Domingues respondeu por carta enviada ao jornal, com três desmentidos: que não teve informação privilegiada para elaborar o plano estratégico e que "não é verdade que alguma vez tenha dito que não faria uma auditoria ou tenha recusado fazer" e que "não estava em curso uma auditoria à CGD, porque embora sendo pública a decisão do Governo de a solicitar até ao momento não foi pedida". 

O líder do PSD constata que passou muito tempo e o país não sabe como se vai processar a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos: quanto a isso ficou sem resposta, mas voltou a contra-atacar o presidente da CGD e o Governo, este domingo, insistindo no mesmo assunto.

Explicações cabais vão ter mesmo de ser dadas ao país. Depois daquilo que veio a público: das duas uma: ou o plano de recapitalização não teve a informação adequada e é uma mistificação política. E, então, o presidente da Caixa perdeu uma boa oportunidade para estar calado, ou então teve acesso a informação e não está a desmentir aquilo que eu disse".

Nesse caso, diz Passos Coelho, "é preciso começar então a responder perante o Parlamento e os portugueses sobre o que é que se passou, o que é que consta desse plano de recapitalização e do plano de reestruturação da Caixa". 

Até agora, a condução do processo foi como um "manual de más práticas, do que não se deve fazer", na opinião do líder da oposição. "Espero que possam pelo menos corrigir as coisas daqui para a frente, uma vez que ainda não injetaram o dinheiro público dentro do banco. É preciso explicar muito bem o que se vai fazer". Fica o repto.

Vanessa Cruz