O líder do PSD defendeu este sábado um «programa mais robusto de privatizações» e menos «responsabilidade pública» nos institutos do Estado. Passos Coelho explicou ainda que o seu partido votou contra o PEC 4 por considerá-lo insuficiente e reiterou o seu compromisso com as metas orçamentais acordadas com Bruxelas.

Passos Coelho adiantou, em entrevista à Reuters, que o PSD vai detalhar um novo Programa de Estabilidade e Crescimento durante a campanha eleitoral, cujo plano orçamental «será mais centrado do lado da despesa do que do lado da receita».

Entre as medidas deverá estar «um programa mais robusto de privatizações, não só que diminua a pressão sobre a dívida, mas também que torne mais claro que não é ao Estado que compete intervir como empresário no jogo económico».

Também na administração indirecta do Estado não empresarial - institutos públicos e fundações -, Passos quer «aliviar a pressão financeira da responsabilidade pública».

O líder do PSD acredita que é preciso ir mais longe nas privatizações em áreas como transporte ferroviário, rodoviário, e «utilities» como as Águas de Portugal. Sobre a TAP, o social-democrata defende a privatização, mas «mantendo uma posição do Estado».



«E julgo que precisaremos abrir o capital da Caixa Geral de Depósitos a privados também. Significa empreender um processo de privatização, não que conduza a que Estado fique numa posição minoritária», acrescentou Passos Coelho, para quem «o Estado deve manter a maioria do capital da Caixa, mas precisaremos de dispersar uma parte de novo capital por pequenos aforradores, em Portugal, em bolsa».

Quanto a aumento de impostos, já ontem Passos Coelho foi prudente: «Até novo PEC, não digo se há aumento de impostos»

Portugal pode fazer um «empréstimo-ponte»

O líder «laranja» reiterou na mesma entrevista que espera que Portugal não precise de ajuda externa, mas, se for necessário um empréstimo de emergência de curto prazo, o social-democrata defendeu que Governo demissionário de José Sócrates tem os poderes para o fazer.



Portugal poderá, num caso de emergência para fazer face a reembolsos ou serviço de dívida, e até às eleições, pedir um empréstimo externo de curto prazo, aquilo a que os economistas chamam um «empréstimo-ponte» - um empréstimo de curto prazo até que se encontrem soluções de financiamento estáveis para períodos mais longos.

Já sobre as metas acordados com Bruxelas, o líder «laranja» reiterou o empenhamento do seu partido com os «compromissos de redução do défice e dívida».

Portugal terá de reembolsar 4.342 milhões de euros de dívida pública a 15 de Abril e, a 15 de Junho, mais outros 4.933 milhões de euros.

Dado o seu elevado endividamento e a expectativa de contracção económica este ano, Portugal é visto por vários economistas como não tendo outra opção senão pedir ajuda externa, seguindo o exemplo da Irlanda e da Grécia. Será que Portugal ainda consegue resistir sozinho?
Redação / RL