O PSD não quer ser uma "muleta" do Governo e a UGT agora percebe essa posição, apesar de ter reagido inicialmente com "espanto" à recusa do maior partido da oposição em viabilizar a descida da TSU para os patrões. Hoje, à saída de um encontro com Passos Coelho e a sua equipa, onde foi recebido "com toda a gentileza", Carlos Silva saiu com a convicção de que o acordo de concertação social está em causa. Mas não culpa o PSD, remete antes responsabilidades para os partidos à esquerda e para o Governo, que tem de descalçar esta bota. 

Compreendemos perfeitamente os constrangimentos que o PSD nos apresentou, não foi o PSD que suscitou a apreciação parlamentar. Foi o BE e o PCP, cada qual tem de assumir as suas responsabilidades. Passos Coelho, a transmissão que nos deu, é que manterá a sua indisponibilidade para fazer passar uma medida no parlamento que o governo precisa"

E não o fará porque "não tem nem quer ser muleta do Governo", não quer fazer "esse frete", reportou Carlos Silva, sobre a conversa onde também participou o vice-presidente do maior partido da oposição, Marco António Costa, para quem o Governo agiu de forma "muito pouco digna", ao assinar o acordo "a correr" e atirar agora responsabilidades para o PSD pelo chumbo que, é praticamente certo, acontecerá no dia 25 de janeiro, quando o tema for ao Parlamento.

Foi importante perceber que a UGT manifestava compreensão. (...) É um paradoxo, uma coisa sem pés nem cabeça, exigir que a oposição resolva problemas que a sua maioria não resolveu".

Marco António Costa diz que com "quem tinha acordado e criado a base política para aumento do salário mínimo nacional" o Governo desentendeu-se a seguir, não tendo acautelado tudo para que o acordo de concertação social se efetivasse.

Os social-democratas acusam mesmo o Governo de estar a "alimentar artificialmente" uma tensão política de que é o único responsável.

"Acordo de concertação claramente em causa" 

Com BE e PCP ideologicamente irredutíveis quanto à sua recusa em descer a TSU para os patrões, e com a falta de apoio que a UGT confirmou na reunião com o PSD, Carlos Silva saiu desse encontro com uma mão cheia de nada.

Saio daqui com a convicção - e as condições são o que são, são as nossas certezas subjetivas - de que não há alteração do comportamento do PSD e da sua atitude no próximo dia 25 de janeiro".

Não há alteração "porque que misturam aqui aquilo que é a preocupação dos parceiros sociais como a UGT com o enquadramento político-partidário, governativo que o pais tem e que o PSD não quis deixar de nos transmitir". 

Carlos Silva disse que para o PSD o acordo de concertação social "nasceu coxo, porque o salário mínimo nacional foi determinado a priori com acordo entre PS, Governo e BE". E a UGT? Agora é tempo de digerir.

Mas claramente está em causa o acordo de concertacao social. Não é pela intervenção do PSD, não é ele que tem a iniciativa, mas ao votar contribuirá para que não passe no Parlamento. Resta saber alternativa que o Governo vai apresentar"

E a UGT não vê que alternativa será. "Será que à esquerda qualquer alternativa para compensar será aceite? (...) Já ouvi hoje o secretário geral da tau dizer que é qualquer compensação será rejeitada. Se estamos nisto estão em causa quaisquer acordos de concertação social", atirou, lembrando que nunca qualquer um dos seis parceiros encontrou uma alternativa tão automática como a redução da TSU.