O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD Luís Montenegro considerou esta quinta-feira que «é obsceno o Governo vangloriar-se com os números da execução orçamental ao mesmo tempo que propõe congelar pensões de 247 euros».

Durante o período de declarações políticas no Parlamento, Luís Montenegro começou por referir que os números da execução orçamental foram divulgados hoje pelo Governo de forma «cirúrgica, parcelar e oficiosamente».

«O Governo usa e abusa de elementos parciais da execução orçamental, inovando um novo método de anúncio de resultados», reforçou, em resposta à deputada do CDS-PP Cecília Meireles, que acusou o executivo do PS de fazer «uma verdadeira campanha mediática» sobre esta matéria.

«O que é verdadeiramente preocupante, o que é mesmo obsceno é o Governo vangloriar-se com este triunfalismo pelos números da execução orçamental ao mesmo tempo que propõe congelar pensões de 247 anos. Isso é obsceno, é preocupante e diz muito da atitude política do PS e deste Governo», acrescentou Luís Montenegro.

Numa reacção a estas palavras de Luís Montenegro, o deputado do PCP Honório Novo acusou-o de fazer «um acto público de revisão das posições do PSD no Orçamento do Estado para este ano».

«Recordo-lhe que, neste momento, as pensões de reforma de 246 euros, como o senhor referiu, estão congeladas pelo acto obsceno que os senhores cometeram ao aprovar de mãos dadas com o PS o Orçamento do Estado para este ano. Também foi obscena a vossa posição política no Orçamento», disse Honório Novo.

Ainda a propósito da execução orçamental, Luís Montenegro defendeu que «não é possível» os socialistas continuarem a dizer que tomaram as medidas necessárias e que estas «até excedem as expectativas», mas que, «ainda assim, é preciso castigar mais as pessoas, as famílias e as empresas».

A deputada do PS Sónia Fertuzinhos respondeu-lhe desta forma: «De facto, todos os sinais que temos da execução orçamental são positivos, mas também é verdade que, em função do desajustamento de vários cenários macroeconómicos, sobretudo das instituições da União Europeia, nos estão a ser pedidos sinais acrescidos de que, em qualquer cenário de evolução macroeconómica da nossa economia, nós somos capazes de esses mesmos resultados do défice».
Redação