O antigo vice-governador do Banco de Portugal (BdP) Pedro Duarte Neves disse hoje no parlamento que os ativos valiosos devem ir "para o banco bom", em resposta ao PCP, que apontava as perdas no Novo Banco.

Qualquer ativo que valha é bom que vá para o banco bom, porque se não for para o banco bom, a transferência teria que ser maior", disse Pedro Duarte Neves em resposta ao deputado do PCP Duarte Alves, em audição na comissão de inquérito sobre o Novo Banco e perdas imputadas ao Fundo de Resolução.

O antigo responsável do BdP deu o exemplo de um crédito de valor 100 com uma imparidade de 50.

Provavelmente eu não quero pôr os 50 no banco mau, eu quero deixá-lo com uma possibilidade de recuperação no banco bom", disse, acrescentando: "um crédito dessas características faz todo o sentido passar para o banco bom, porque se não, não o passo, mas tenho que lá pôr 50".

O deputado do PCP disse que "convém, nesse caso, as coisas serem claras e dizer-se a verdade, não se dizer que é possível resolver um banco sem custos para os contribuintes".

Pedro Duarte Neves considerou que os créditos "estão bem avaliados", pois foram avaliados por auditores.

Duarte Alves deu depois o exemplo da seguradora Tranquilidade, que foi avaliada em 2012, pela consultora PwC, em 839 milhões de euros, tendo sido vendida em 2014 por 40 milhões de euros à Apollo.

"Passados quatro anos, o fundo que a comprou, a Apollo, vende por 600 milhões de euros. Ou seja, tivemos aqui, neste momento do 'ring-fencing', em que se procura separar a parte financeira da não financeira e os ativos do grupo daquilo que era o banco, uma pressão para uma venda rápida que levou a uma desvalorização deste ativo", elencou o deputado.

Para o deputado, esta prática, sem o "acompanhamento do Banco de Portugal", causa "alguma perplexidade, porque é uma estratégia que tem reflexo nas perdas públicas".

Já a deputada do CDS-PP Cecília Meireles centrou a sua intervenção no acompanhamento do Banco de Portugal à exposição da ESFG a partes relacionadas ao longo dos anos.

"Aquilo que diz o relatório Costa Pinto é que a exposição ao ramo não financeiro do GES [Grupo Espírito Santo] acima do limite dos grande riscos já existia em 2000, e a única ação que eu vejo para além da dedução a fundos próprios (...), é que a partir de dezembro de 2007 começou a recolha de informação contabilística sobre as empresas não financeiras do GES", disse a parlamentar centrista.

"Estou convencido de que alguma informação seria recolhida sobre a parte não financeira, senão não se podia calcular a parte não financeira desde 2000, ela está aí, aparece aí no gráfico, era conhecida e era calculada", defendeu Pedro Duarte Neves.

/ MJC