O Banco de Fomento recusou dar o aval ao empréstimo de 30 milhões de euros requerido pela Groundforce, que estava a negociar com a Caixa Geral de Depósitos.

TVI teve acesso à resposta enviada a Alfredo Casimiro, presidente e acionista maioritário da empresa de handling, na qual o Banco de Fomento diz duvidar da capacidade da Groundforce para devolver o dinheiro que seria emprestado pelo banco público.

Existem reservas quanto à viabilidade económica e financeira da empresa [Groundforce], bem como à sua capacidade de reembolsar a linha de crédito solicitada", pode ler-se na nota consultada pela TVI.

A resposta já chegou também a vários membros do Governo, sendo que nenhum deles foi Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e Habitação, que tutela o dossier.

O Banco de Fomento acrescenta que também não está garantida a disponibilidade financeira dos acionistas, que tinham de cobrir os mais de 40 milhões de euros de prejuízos que estão previstos para 2020-2021.

Para a decisão do Banco de Fomento contribui também a ausência da aprovação e implementação efetiva por parte da administração da Groundforce de um plano de reestruturação profundo, que devia adequar a estrutura de custos à nova realidade de receitas.

Em causa estão ainda as licenças emitidas pela Autoridade de Nacional de Aviação Civil para que a Groundforce opere nos aeroportos nacionais, cuja validade termina entre 2023 e 2025.

Antes disso, e ao longo do ano, 70% do financiamento da empresa está por liquidar, pelo que a Groundforce pode deixar de ter condições para operar.

A Groundforce é detida em 50,1% pela Pasogal (cujo acionista maioritário é Alfredo Casimiro) e em 49,9% pelo grupo TAP, que, em 2020, passou a ser detido em 72,5% pelo Estado português e que é acionista minoritário e principal cliente da empresa que presta assistência nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo.

A empresa, que tinha 3.600 trabalhadores, tem atualmente 2.400, 208 dos quais nos aeroportos da Madeira e do Porto Santo.