O ministro das Infraestruturas disse esta terça-feira que a anterior gestão privada da TAP “tinha o dinheiro dos portugueses” para gerir a companhia durante mais uns meses, “em prol dos seus interesses”, e não tinha disponibilidade para investir na empresa.

O privado tinha o dinheiro dos portugueses para gerir durante mais alguns meses a companhia, em prol dos seus interesses, não necessariamente os interesses dos portugueses, ou do Estado português”, afirmou Pedro Nuno Santos, que está a ser ouvido na Assembleia da República, na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Inovação, por requerimento do Bloco de Esquerda (BE).

 

Fosse [a gestão] absolutamente privada, ou absolutamente pública, estaríamos nesta posição. […] O privado não tinha nem dinheiro, nem disponibilidade para meter um cêntimo na TAP”, acrescentou, garantindo que a questão que se colocava quando o Estado decidiu ficar com 72,5% da companhia “era se se mantinha pública, ou fechava”.

Pedro Nuno Santos apontou também críticas à gestão privada, que, defendeu, agravaram problemas preexistentes na companhia.

Há problemas na TAP que são anteriores à gestão privada, que não foram resolvidos com a gestão privada e que, nalguns casos, foram até agravados pela gestão privada, e, na minha opinião, se me é permitida, a empresa cresceu demasiado depressa, [com] um número de contratações e de aviões acima do plano estratégico que estava acordado com o Estado”, argumentou.

O ministro das Infraestruturas afirmou, ainda, que o redimensionamento da TAP não está a ser preparado apenas porque há um plano de reestruturação para implementar, mas também porque não há procura.

Uma empresa pública deve servir o país, servir o povo, mas deve ser sustentável financeiramente”, apontou.

O Governo entregou na quinta-feira o plano de reestruturação da TAP à Comissão Europeia, que, segundo detalhou o ministro na sexta-feira, prevê o despedimento de 500 pilotos, 750 tripulantes de cabine, 450 trabalhadores da manutenção e engenharia e 250 das restantes áreas.

O plano prevê, ainda, a redução de 25% da massa salarial do grupo e do número de aviões que compõem a frota da companhia, de 108 para 88 aviões.

/ LF