O primeiro-ministro, António Costa, defendeu esta sexta-feira, ao lado do seu homólogo espanhol, Pedro Sánchez, a compra conjunta na União Europeia (UE) de combustíveis, quando a Europa enfrenta uma crise energética e o gasóleo e a gasolina atingem máximos.

Temos de criar condições que conduzam a Europa a enfrentar desafios como o preço dos combustíveis fósseis. Como o Pedro [Sánchez] propôs, deveríamos ter […], como aconteceu com a estratégia de vacinação, uma estratégia comum de aquisição combustíveis fósseis”, declarou António Costa, participando enquanto secretário-geral do PS na conferência “A Grande Transformação” organizada pelo grupo dos Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu, em Paris.

 

Não é possível apenas estalar os dedos e passar dos combustíveis para os carros elétricos”, acrescentou.

Defendendo um “verdadeiro mercado de energia a nível europeu”, António Costa advogou também “melhores interligações [elétricas] com Península Ibérica, especialmente com a França”.

É preciso enfrentar os problemas quotidianos e garantir que as pessoas têm a possibilidade de trabalhar, de se manter quentes e de continuar a fazer as suas vidas”, assinalou o secretário-geral do PS.

Uma outra solução defendida por António Costa foi a de maior aposta nas energias renováveis.

Um bom exemplo é o que está a acontecer em Portugal hoje. O preço dos combustíveis fósseis está a subir, mas o preço da eletricidade vai diminuir em janeiro e porquê? Porque começámos a investir fortemente nas energias renováveis há 15 anos, pelo que 60% do nosso mix energético é agora proveniente de fontes renováveis”, salientou.

 

E é precisamente por isso que os preços da energia e dos combustíveis fósseis estão a subir, mas o preço da eletricidade está a descer, portanto é realmente necessário aumentar o investimento em energias renováveis e limpas porque é assim que, a longo prazo, teremos energia barata e energia acessível para todos”, concluiu António Costa.

A escalada dos preços da luz – devido à subida no mercado do gás, à maior procura e à descida das temperaturas – ameaça exacerbar a pobreza energética na Europa e causar dificuldades no pagamento das contas de aquecimento neste outono e neste inverno.

Nesta conferência hoje organizada pelo S&D em Paris, a bancada dos socialistas no Parlamento Europeu lança também um relatório que propõe “medidas ambiciosas e inovadoras para transformar as sociedades modernas, fraturadas por crises sucessivas, em comunidades sustentáveis, mais justas e mais igualitárias”.

O evento contou com a participação do secretário-geral do PS e primeiro-ministro português, António Costa, do secretário-geral do PSOE e presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, da candidata do Partido Socialista francês às presidenciais e atual presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, e da presidente do grupo S&D, a espanhola Iratxe García Pérez.

Candidata socialista à presidência de França inspira-se em António Costa

Na mesma conferência, a presidente da Câmara de Paris e candidata socialista à presidência de França, Anne Hidalgo, afirmou  que tem como fontes de inspiração as políticas do primeiro-ministro português, António Costa, e do chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez.

Hidalgo, que recebeu apoio explícito de António Costa e Pedro Sanchéz à sua candidatura ao Eliseu, explicou que se inspira “muito” em ambos os governantes. A candidata socialista insistiu, também, que as soluções para os desafios sociais e ambientais “vêm da social-democracia e da Europa”.

A social-democracia dá a certeza de que, numa crise, precisamos sempre de apoio e de proteção social”, argumentou.

Segundo Hidalgo, os governos de Portugal e Espanha, bem como de outros países europeus com dirigentes social-democratas, caracterizam-se por “um método que consiste em não em decidir sozinhos”, mas no recurso ao diálogo social e à consulta aos cidadãos e às administrações locais.

“Aqui em França temos Júpiter”, acrescentou Anne Hidalgo com ironia, referindo-se ao Presidente francês, Emmanuel Macron, que é comparado ao deus romano, em crítica à sua governação.

A autarca de Paris também se distanciou de Macron, de forma clara, na política energética, ao afirmar que se fosse eleita presidente não iria desenvolver energia nuclear.

Se tivermos como prioridade a construção de novas centrais termoelétricas, isso significa que não vamos investir em energias renováveis”, indicou.

Anne Hidalgo, que agradeceu o apoio recebido de António Costa e Pedro Sanchéz, defendeu ainda que a União Europeia (UE) deve promover a iniciativa de criar “um tribunal internacional sobre ecocídios”, que poderia ser uma extensão do Tribunal Internacional de Justiça de Haia (Países Baixos).

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/ PF