Numa altura em que o documento apresentado por António Costa Silva se encontra em consulta pública, há empresários que entendem que não espelha as necessidades e realidades dos locais onde se encontram ou que é preciso mais. É o caso de quem tem negócios na região de Coimbra.

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“Coimbra tem condições únicas para participar do esforço nacional de relançamento económico”, dizem mais de 40 subscritores de uma proposta, em jeito de manifesto, apresentada hoje e que gerem Pequenas e Média Empresas (PMEs) na região.

Reconhecendo que é “imperioso e urgente o reposicionamento da sociedade portuguesa perante a grave crise económica provocada pela pandemia Covid-19” estes profissionais apresentam um conjunto de 15 ideais que no fundo visam contribuir para o todo e criar “empregos e valor económico, social e cultural para o país”. O que dizem já fazer na área de Coimbra.

Segundo o documento a que a TVI teve acesso, entre as ideais, submetidas à reconsideração de António Costa Silva, sugerem a “implementação do eixo ferroviário de Alta Velocidade Lisboa-Coimbra-Porto com a construção da nova estação Intermodal de Coimbra.”

No âmbito da ferrovia pedem ainda a “concretização de acesso ferroviário em 50 minutos ao aeroporto Francisco Sá Carneiro (Porto) desde Coimbra através de alta-velocidade e com a necessária construção de ligação dedicada Campanhã-Aeroporto” e a “aposta na ferrovia de passageiros e mercadorias com reforço das ligações regionais entre Coimbra, Cantanhede, Figueira Da Foz e Alfarelos (TMIP), otimizando a função económica do porto da Figueira da Foz.”

Na área da saúde, estes empresários propõem, por exemplo, o “investimento no SNS [Serviço Nacional de Saúde] em Coimbra com a construção da nova Maternidade, reforço da inovação médica e capacidade assistencial das estruturas hospitalares existentes em contratos-programa plurianuais com autonomia de gestão.”

Para potenciar o crescimento e a criação de emprego, é lança a ideia de um Fundo de Capital de Risco Regional para a Área Metropolitana de Coimbra “com foco generalista em transferência de tecnologias da Universidade para o mercado, em especial nas ciências da saúde, tecnologias da informação, economia circular e espaço, gerido por equipa internacional que permita a capitalização das PMEs e desenvolvimento de competências de gestão e internacionalização nos respetivos negócios.”

Uma palavra também para os jovens trabalhadores com a sugestão de “incentivos remuneratórios inovadores para empresas que contratem estudante-trabalhadores a concluir mestrados e doutoramentos, ou docentes do ensino superior, mediante protocolos de colaboração especializada com universidades e politécnicos.”

Ao mesmo tempo que admite o lançamento de fundo de co-investimento verde, pedem a "aposta na reindustrialização de Coimbra através da disponibilização de terrenos e edificados públicos para programas de regeneração urbana e empresarial e fundos comunitários específicos para indústria 4.0.”

Ideias que englobam não só Coimbra e a região já que no ponto 14 há um apela claro à “aposta no desenvolvimento económico das cidades médias portuguesas” com apoios de transição energética para as indústrias, comércio e serviços locais e reforço da economia circular, turismo sustentável, descarbonização e utilização de fontes de energia renováveis.

Na semana passada, o presidente do município de Coimbra, Manuel Machado, defendeu que é "absolutamente" essencial a construção de um aeroporto internacional que sirva a região Centro e o país. O autarca disse aos jornalistas, no final da sessão de câmara, que a construção de uma infraestrutura aeroportuária na região Centro é "uma questão central a ser resolvida", depois de gorada a hipótese da Base Aérea de Monte Real (Leiria) abrir à aviação civil.

António Costa Silva apresentou em julho o plano que elaborou, a pedido do primeiro-ministro, António Costa, sobre as formas como Portugal poderá recuperar pós Covid-19: "Visão Estratégica para o Plano de Recuperação 2020/2030".  Um documento da autoria do gestor que já inclui contributos do Executivo e que enquadrará o orçamento para 2021.

Após este período de discussão pública, quase em simultâneo com a conclusão da proposta de Orçamento do Estado para 2021 (OE2021), o Governo apresentará a versão final, já então com o desenho das medidas políticas, ou seja, com as prioridades, os calendários de execução e as estimativas em termos de impacto financeiro.

Alda Martins