A secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, afirmou esta quarta-feira que o encerramento da refinaria da Galp de Matosinhos é “um atentado à economia do país” e garantiu que “tudo fará” para reverter a decisão.

Tudo faremos para reverter de facto este encerramento da refinaria de Matosinhos que é fundamental para assegurar as condições de vida e postos de trabalho, mas que é fundamental para o desenvolvimento da economia do país”, afirmou Isabel Camarinha, em declarações aos jornalistas.

A secretária-geral da CGTP, que participou no plenário de trabalhadores da refinaria da Galp de Matosinhos, acusou o Governo de ter “enormes responsabilidades” na decisão de encerramento, que considerou “inaceitável”.

“Não se compreende esta decisão e o desrespeito total pelos trabalhadores”, referiu, acrescentando que este é “um atentado à economia do país”.

Todos concordamos com a necessidade de tomar medidas para melhorar e alterar os fatores poluentes, mas isso tem de ser feito em respeito pelos interesses nacionais, mas também pelos direitos dos trabalhadores”, defendeu.

Isabel Camarinha afirmou ainda que o Governo, ao ser “o segundo principal acionista” da Galp, não se deve “por de fora a dizer que não tem responsabilidades”.

“Para além disso, a responsabilidade da privatização desta empresa foi de governos anteriores e este governo pode perfeitamente nacionalizar a Galp e mantê-la na esfera pública de onde nunca devia ter saído, que é de facto um setor estratégico para o nosso país”, defendeu.

Aos jornalistas, a secretária-geral da CGTP disse ainda que além do Governo e respetivos ministros, nomeadamente do trabalho e da economia, “empresas, comerciantes e autarquias locais têm de ter uma palavra a dizer em defesa da economia regional”.

O próprio Presidente da República também tem de ter uma palavra a dizer”, afirmou.

Na terça-feira, na reunião da câmara de Matosinhos, o responsável pela refinaria da Galp de Matosinhos, José Silva, afirmou que a decisão de encerramento “está tomada e fechada” e que para o complexo não está previsto “nenhum projeto de refinação de lítio”.

Esta não é uma decisão reversível pelos fundamentos que foram analisados e valorizados pelo Conselho de Administração. A decisão está tomada e fechada”, afirmou o engenheiro José Silva.

Quanto aos trabalhadores, o responsável afirmou que a Galp tem mantido “um diálogo de proximidade com as estruturas representativas dos trabalhadores”, acrescentando que foram realizadas duas reuniões, uma no dia 21 de dezembro (aquando do anúncio do encerramento) e outra esta quarta-feira.

José Silva garantiu que a empresa vai “procurar encontrar soluções para todas as pessoas” e que “será feita uma avaliação de cada trabalhador”, sendo que essas soluções “pressupõem que muitas poderão ser recolocadas noutras funções ou localizações, mas também ver recapacitadas as suas competências para fazer face a outros desafios”.

Em 21 de dezembro, a Galp anunciou, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que "continuará a abastecer o mercado regional mantendo a operação das principais instalações de importação, armazenamento e expedição de produtos existentes em Matosinhos", e que está a "desenvolver soluções adequadas para a necessária redução da força laboral e a avaliar alternativas de utilização para o complexo".

A empresa afirmou que as "alterações estruturais dos padrões de consumo de produtos petrolíferos motivados pelo contexto regulatório e pelo contexto covid-19 originaram um impacto significativo nas atividades industriais de 'downstreaming' da Galp", e disse que "o aprovisionamento e a distribuição de combustíveis no país não serão impactados por esta decisão".

Esta reconfiguração "permitirá uma redução de mais de €90m por ano em custo fixos e investimentos e c.900kt das emissões de CO2 e (scope 1 e 2) associadas ao sistema atual", refere a nota.

Esta decisão já desencadeou várias reações com o Governo a considerar que a decisão da Galp "levanta preocupações" em relação ao destino dos trabalhadores, mas a lembrar que as medidas anunciadas se inserem num processo que visa a descarbonização do setor energético.

/ AG