As economias da Europa do Euro e dos 27 Estados-membros estão todas a tombar com a Covid-19 e Portugal não é exceção. Perante a estimativa rápida do Produto Interno Bruto (PIB), o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, disse hoje que a quebra de 16,5% no segundo trimestre “confirma o que já se sabia”, ou seja, "uma queda muito acentuada da atividade económica". 

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o PIB caiu 16,5% no segundo trimestre do ano face ao mesmo período de 2019, e 14,1% em cadeia - relativamente ao primeiro trimestre do ano -, devido aos efeitos económicos da pandemia de Covid-19.

É uma quebra de PIB que confirma aquilo que já se sabia, que nós tivemos nos meses de abril e maio uma queda muito acentuada da atividade económica, com uma quebra muito acentuada do consumo privado, uma quebra do investimento, mas sobretudo uma grande quebra das exportações. São estes fatores, sobretudo a queda das exportações, que explicam a queda do PIB no segundo trimestre”, refere Siza Vieira aos jornalistas.

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Números que, admite o ministro, podem trazer consigo insolvências e desemprego. "É expectável e lamentável", mas, diz, "o mais importante, a partir daqui, é criar as condições para, em cada trimestre, termos uma recuperação da atividade económica."

O governante assegura que durante os próximos meses vão "continuar a adotar medidas que visam, por um lado, continuar a apoiar as empresas relativamente ao alívio de um conjunto de custos importantes. Continuar a apoiar o emprego das pessoas que perderam o emprego, ou daquelas que sendo trabalhadores independentes ou informais não têm acesso ao subsídio de desemprego e manter o alívio relativamente ao sistema bancário."

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Governo admite rever previsões de crescimento do orçamento suplementar

Segundo a Lusa, o ministro da Economia admitiu ainda aos jornalistas que o Governo irá refletir sobre as previsões que constam do Orçamento Suplementar, após esta contração

Obviamente estes números vão obrigar a refletir sobre as previsões do Orçamento Suplementar. Estes números vão obrigar a refletir sobre as projeções que constam do Orçamento Suplementar, não é nada que não antecipássemos já e vão, portanto, levar-nos a fazer essa reflexão”, assume.

Mesmo com estas quebras, de dois trimestres seguidos, e citando a Comissão Europeia, o ministro acredita que Portugal voltará a crescer nos dois trimestres que faltam o que, no conjunto, chegará uma quebra de 9% em 2020. Para começar a recuperar em 2021.

Em comunicado, o Ministério das Finanças lembrou também que a contração muito acentuada da economia no segundo trimestre se está verificar em todo o mundo e está em linha com a queda verificada nos nossos principais parceiros económicos como Espanha (22,1%), França (19%) e Itália (17,3%).

Esta redução muito acentuada do PIB no segundo trimestre reflete o impacto provocado pela pandemia de COVID-19 e está associada ao período de maior recolhimento do estado de emergência, que vigorou entre 18 de março e 2 de maio, e das restantes medidas de proteção sanitária implementadas e consequente queda da atividade económica”, refere citado pela Lusa. 

Nas últimas semanas, acrescenta, “os indicadores económicos de alta frequência apresentam já sinais de uma recuperação progressiva da atividade económica.”

Alda Martins