O PS pediu hoje a audição dos ex-ministros das Finanças Fernando Teixeira dos Santos, Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque na comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, além dos atual e anterior governadores do Banco de Portugal.

Num requerimento entregue hoje na II Comissão Parlamentar de Inquérito à recapitalização e gestão da CGD, o Grupo Parlamentar socialista solicita a audição dos atual e anterior governadores do Banco de Portugal, Carlos Costa e Vítor Constâncio, bem como dos ex-ministros das Finanças Teixeira dos Santos, do executivo de José Sócrates, e de Vitor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, do governo de Pedro Passos Coelho.

O PS pede também a audição dos responsáveis pela auditoria que detetou irregularidades na gestão da Caixa, a Ernst & Young, e do presidente do Conselho de Auditoria do Banco de Portugal entre 2014 e 2018, João Costa Pinto.

Na lista de entidades que os socialistas pretendem ouvir estão também os presidentes do conselho de administração e da comissão executiva do banco público entre 2000 e 2015, António de Sousa, Vítor Martins, Carlos Santos Ferreira, Faria de Oliveira e José de Matos.

Os ex-administradores da Caixa, Celeste Cardona, Carlos Costa, que agora é governador do Banco de Portugal, Francisco Bandeira, Armando Vara e António Nogueira Leite estão também na lista entregue hoje, bem como o presidente da comissão de auditoria do banco, Eduardo Paz Ferreira.

Os socialistas pretendem ainda ouvir os presidentes da CGD em Espanha desde 2005, Faria de Oliveira, Manuel López Figueroa, Rodolfo Lavrador e João Nuno Palma.

Os empresários Manuel Fino e Joe Berardo, que tinham créditos que resultaram em imparidades para o banco público, fazem também parte da lista.

A II comissão de inquérito à CGD resulta de um texto consensualizado entre CDS-PP, PSD, PS e BE e estabelece que esta comissão deverá funcionar pelo prazo máximo de 120 dias, tendo entre os seus objetivos apurar as práticas de gestão da CGD no domínio da concessão de crédito desde o ano 2000, apreciar a atuação dos órgãos de administração, fiscalização e auditoria do banco, dos auditores externos, governos e supervisores financeiros.

No dia 20 de janeiro, a antiga dirigente e deputada do Bloco de Esquerda Joana Amaral Dias, comentadora da CMTV, divulgou neste canal um documento com dados da concessão de crédito da CGD entre 2000 e 2015 apurados numa auditoria ao banco público realizada pela EY, antes designada Ernst & Young.

Nesta versão do relatório da auditoria da EY, com data de dezembro de 2017, conclui-se que houve concessão de créditos mal fundamentada, atribuição de bónus aos gestores com resultados negativos, interferência do Estado e ineficiências na gestão de risco.

Dois dias depois, o Ministério das Finanças referiu que foi o Governo quem "solicitou a realização de uma auditoria independente a atos de gestão da CGD entre 2000 e 2015 e, no âmbito do exercício da sua função acionista, deu instruções à CGD para que o relatório fosse remetido ao Banco de Portugal e ao Mecanismo Único de supervisão do Banco Central Europeu, bem como a outras autoridades judiciais, de inspeção, de supervisão ou em matéria tributária, caso os elementos do relatório se afigurassem relevantes para o exercício das suas atribuições".

Em 01 de fevereiro, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, entregou na Assembleia da República, à Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, a versão final da auditoria à gestão do banco público feita pela EY, que foi posteriormente divulgada no 'site' do parlamento.

As duas comissões de inquérito sobre o banco público constituídas anteriormente nesta legislatura foram propostas por PSD e CDS-PP, de forma potestativa, subscritas por um quinto dos deputados.