O antigo administrador dos CTT Carlos Horta e Costa, um dos 52 arguidos no processo de alegadas fraudes na gestão dos Correios, disse à Lusa que «faria hoje exactamente tudo» o que fez enquanto esteve à frente da empresa.

A Polícia Judiciária revelou na passada terça-feira ter concluído e enviado para o Ministério Público (MP), com proposta de acusação, a investigação sobre alegadas fraudes na gestão dos CTT, que conta com 52 arguidos, entre empresas e pessoas singulares.

Horta e Costa acusado de fraude

De acordo com a PJ estão em causa alegadas práticas ilícitas entre 2002 e 2005 «associadas a 23 situações irregulares relacionadas com actos de gestão na administração dos CTT», entre elas a venda de dois imóveis, um em Coimbra e outro em Lisboa.

Presidente da Câmara Municipal de Coimbra também está entre arguidos

Carlos Horta e Costa, que na terça-feira à noite declarou à Lusa não ter sido notificado de nada, afirma-se «tranquilo» quanto a um desfecho do caso. «Continuo a dizer que estou muito tranquilo e que faria [hoje] exactamente tudo o que fiz. Não tenho dúvida nenhuma. Para mim não se passou nada», realçou.

Uma fonte da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ disse à Lusa que um dos pontos da acusação é relativa a um prédio dos CTT que foi vendido a uma entidade particular e mais tarde revendido por essa empresa, «com um ganho astronómico».

O Ministério Público tenciona proferir o despacho final do inquérito relacionado com fraudes nos CTT até ao fim deste mês, após a Polícia Judiciária ter concluído as diligências de investigação, disse à agência Lusa fonte judicial.

A mesma fonte adiantou que o relatório final da PJ foi encaminhado para a 9ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, que até às férias judiciais de Verão deverá proferir o respectivo despacho (de acusação ou arquivamento).

Entre os arguidos figura também o actual presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Carlos Encarnação.