Os cinco principais bancos portugueses arrecadaram em 2019 mais de 1.800 milhões de euros em comissões bancárias, segundo contas feitas pela Lusa.

Esta sexta-feira, o Novo Banco foi o último das grandes instituições financeiras a apresentar resultados, com prejuízos de 1.058,8 milhões de euros, ainda assim menores perdas do que as de 1.412,6 milhões de euros de 2018.

Quanto a comissões, o Novo Banco arrecadou 323,5 milhões de euros no ano passado, mais 3,1% do que em 2018.

Segundo a entidade financeira, as comissões relacionadas com serviços de pagamentos e comissões sobre empréstimos e garantias diminuíram, o que atribui à concorrência da atividade bancária em Portugal, mas essa queda "foi compensada pelo crescimento das comissões de gestão de ativos, assessoria, servicing e diversos".

Somando as receitas de comissões do Novo Banco às receitas de comissões de Caixa Geral de Depósitos, BCP, BPI e Santander Totta, no total, os cinco maiores bancos a operar em Portugal arrecadaram 1.859,1 milhões de euros em 2019, mais cerca de 50 milhões do que em 2018, em base comparável.

O BCP cobrou, na operação em Portugal, 483,2 milhões de euros em 2019, mais 1,7% do que em 2018.

A Caixa Geral de Depósitos, na operação em Portugal, conseguiu 414 milhões de euros em 'resultados de comissões e serviços', mais 5,3% face 2018, justificando com “a colocação de seguros e fundos de investimento”.

O Santander Totta teve receitas de 380,5 milhões de euros com comissões líquidas, mais 4,8% do que em 2018, o que o banco justifica com a “evolução favorável das comissões de meios de pagamento e de seguros”.

Por fim, em 2019, o BPI registou 257,9 milhões de euros em comissões líquidas, um valor inferior em 7,2% às cobradas em 2018.

Contudo, o banco vendeu o negócio de cartões, ‘acquiring’ e de banca de investimento ao CaixaBank (dono do BPI), pelo que não constam as comissões geradas por esses negócios.

Segundo o BPI, excluindo o efeito decorrente das vendas destes negócios, em base comparável, as comissões aumentaram 14 milhões de euros em 2019 face a 2018 (5,7%).

As comissões bancárias têm sido um tema polémico e na passada quinta-feira o parlamento votou projetos-lei que as limitam, aprovando na generalidade a proposta do PS que limita as comissões bancárias em plataformas eletrónicas (como MB Way) e baixando à especialidade sem votação as propostas de BE, PCP e PAN que visam mesmo proibir essas comissões.

Os deputados aprovaram ainda propostas do Bloco de Esquerda (BE) e do PSD que impedem os bancos de cobrarem comissões por processamento da prestação de crédito.

As propostas do BE aprovadas proíbem ainda os bancos de cobrarem encargos pela emissão de documentos declarativos de dívida, tornam "obrigatória e gratuita" a emissão automática da declaração de fim do contrato (distrate) e impedem alterações unilaterais dos bancos nos contratos de crédito que signifiquem mudanças no valor total do empréstimo.

O debate e as votações em plenário aconteceram depois de a Associação Portuguesa de Bancos (APB) ter dito em comunicado que leis que proíbam ou limitam comissões bancárias são incompreensíveis e discriminatórias e podem ter como consequência despedimentos, redução de balcões e deslocalização de bancos. PS e BE disseram no plenário que recusavam as ameaças da banca.

Cinco maiores bancos perdem 990 trabalhadores e 104 balcões

Os cinco maiores bancos portugueses registaram um decréscimo de 990 trabalhadores e de 104 balcões no ano de 2019, com o BCP a ser o único a registar um aumento líquido de funcionários, mas a liderar fechos de agências.

Em 2019, no total, Caixa Geral de Depósitos, Santander Totta, BCP, BPI e Novo Banco terminaram o ano com 30.201 trabalhadores, menos 990 face aos 31.191 com que terminaram o ano de 2018.

Apenas o BCP não registou uma diminuição no número de trabalhadores em Portugal, tendo passado de 7.095 funcionários em 2018 para 7.204 em 2019, um aumento de 109 pessoas.

A CGD, banco público, liderou as perdas de trabalhadores, ao contar com menos 575 funcionários face a 2018, passando de 7.675 a 7.100.

O Santander Totta perdeu 249 trabalhadores em 2019 relativamente a 2018, passando de 6.437 para 6.188.

Já o BPI também contou com menos trabalhadores em 2019 (48), tendo passado de 4.888 no final de 2018 para 4.840 no final de 2019.

O Novo Banco, que na sexta-feira divulgou os seus resultados (prejuízo de 1.058,8 milhões de euros), também registou uma diminuição anual no número de trabalhadores, verificando-se uma descida dos 5.096 trabalhadores no final de 2018 para os 4.869 no mesmo período de 2019.

Em termos de balcões, os cinco maiores bancos com sede em Portugal registaram uma descida de 104, já que passaram de 2.455 em 2018 para 2.351 em 2019.

A maior redução foi a do BCP, que na sua atividade em Portugal reduziu o seu número em 41, passando de 546 no final de 2018 para 505 no mesmo período de 2019.

Nas perdas a nível de agências segue-se o Santander, com menos 30, já que fechou 2019 com 505 quando no final de 2018 contava com 535.

O BPI perdeu 15 balcões em 2019 (redução de 421 em 2018 para 406 em 2019), mas o banco liderado por Pablo Forero assinala que fora deste número conta com "36 centros 'premier', um balcão móvel e 34 centros de empresas, o que perfaz um total de 477 unidades comerciais".

O Novo Banco também perdeu 15 balcões, passando de 402 no final de 2018 para 387 em 2019.

A CGD, banco público, foi a instituição que registou menos quebras nos locais de atendimento aos clientes em 2019, passando de 551 pontos de contacto (agências, extensões e gabinetes de empresas) em 2018 para 548 em 2019, uma descida de três unidades.

/ CE