Com a crise dos últimos anos, a importância da poupança entrou na mente dos portugueses, mas nem todos sabem como começar. A TVI24 juntou alguns especialistas para falar sobre o tema e dar sugestões tanto a quem quer iniciar agora um “pé-de-meia”, como a quem não sabe o que faz com o que já tem.

Casa e carro: faça simulações

A jornalista da TVI Judite França aconselha os sites da Deco e da Anacom para fazer simulações sobre, por exemplo, “que tipo de de pacote telecomunicações é o melhor” para si. Também nos mesmos sites, pode ficar a saber quais são os “fornecedores mais baratos de luz, água, etc”.

Negociar tudo

“Num mercado tão concorrencial, é possível negociar tudo”. Por exemplo, se terminar o prazo de fidelização do pacote associado ao telemóvel, faça um telefonema ao fornecedor a avisar que vai mudar.

Também no caso do seguro automóvel pode fazer o mesmo. Partindo das mesmas coberturas, “é possível chegar à sua companhia de seguros e exigir mais barato ou informar que vai procurar fora”.

No caso de optar pela negociação, “convém que não seja bluff”, portanto faça uma “prospeção de mercado” antes.

Use o telemóvel

Para poupar, por exemplo, combustível, procure as aplicações que lhe permitem saber imediatamente, no seu raio de localização, qual é o posto de abastecimento mais barato.

Vá ao banco

Para quem comprou casa há poucos anos, esta é “uma boa altura” para ir ao banco e renegociar o spread do crédito à habitação. Para spreads acima de 1,8%, “isso até é fácil”. E saiba ainda que mudar de banco “pode não ter custo”.

Faça um mapa e um orçamento

A especialista em educação financeira Bárbara Barroso aconselha quem quer poupar a começar por um mapa de fluxo de caixa, ou seja, um repertório de todas as despesas, e um orçamento, para definir tetos.

“Só vamos identificar despesas que podemos cortar se soubermos quais ela são.”

Uma técnica e um desafio

Bárbara Barroso falou da “técnica do envelope”, onde é colocado lá algum dinheiro por semana, por exemplo, e depois só esse envelope é levado para comprar qualquer coisa, ou seja, só esse dinheiro pode ser gasto.

A especialista recomenda ainda o desafio das 52 semanas, onde coloca de parte um euro na primeira semana, dois na segunda e por aí fora até ao fim do ano. Para quem não quer acabar a colocar 52 euros de lado na altura do Natal, recomenda que comece ao contrário.

Onde investir as poupanças

O economista da Deco António Ribeiro sublinhou que, atualmente, os depósitos “rendem praticamente zero”. Além disso, como os preços crescem pela inflação, “o dinheiro vai valer menos”.

“Estamos a perder valor das nossas poupanças que estão no banco.”

Salientou então que há “alguns depósitos com taxas mais interessantes”, de 1,3% a um ano, já sendo uma “forma de minimizar as perdas”.

O economista recomenda os certificados do Tesouro Poupança Mais, com capital garantido, “um produto a 5 anos, com rendimento de 1,6% ao ano se mantiver lá o dinheiro durante os 5 anos”. Com essa taxa, “combate pelo menos a inflação”.

O especialista diz que os atuais certificados de aforro são “a evitar”, porque o rendimento é de apenas 0,5%.

“Alguns seguros de capitalização podem ser interessantes, mas cuidado com as comissões elevadas e alguns não têm capital garantido.”

António Ribeiro aconselha a procurar aplicações para o longo prazo e a investir em produtos sem risco, como constituir uma carteira de fundos de investimento.