Quase 50% dos pais portugueses já pediu dinheiro emprestado para comprar um bem aos filhos, conclui um estudo sobre as poupanças familiares realizado pela Intrum, empresa de Serviços de Gestão de Crédito que atua em vários países europeus.

A propósito do Dia Internacional da Família, que se assinala este sábado, o "European Consumer Payment Report" (ECPR), estudo da Intrum, revela que, em resultado da crise covid-19, 48% dos pais portugueses "admite ter pedido dinheiro emprestado, pelo menos uma vez ou atingiu o limite do seu cartão de crédito, para comprar algum bem para os seus filhos".

A instituição sublinha que este valor está em linha com a média europeia, que se situa um pouco abaixo, nos 46%. 

Mais de metade dos pais europeus (52%) dizem estar mais preocupados com o seu bem-estar financeiro do que em qualquer outra altura da sua vida. Em Portugal, a percentagem de famílias que concorda com esta afirmação é de 59%. Ainda assim, 62% dos inquiridos sem filhos diz concordar com a mesma afirmação.

De acordo com a Intrum, 81% das famílias portuguesas afirma que o principal motivo para tentar poupar todos os meses é para responder a despesas inesperadas. A média europeia situa-se nos 76%.

Para 31% das famílias portuguesas outro dos grandes motivos para poupar é fazer frente às despesas com os filhos.

Para além disso, 63% dos pais portugueses inquiridos, dez pontos percentuais acima da média europeia, afirma que a crise pandémica os fez "perceber que as suas finanças estão menos seguras do que o necessário para viverem uma vida despreocupada e livre de stress".

De acordo com o estudo, 57% dos inquiridos sem filhos concorda com esta afirmação, enquanto a média europeia fica-se nos 44% . 

Para Luís Salvaterra, diretor-Geral da Intrum Portugal, citado no comunicado, a pandemia de covid-19 "trouxe muitas inseguranças às famílias portuguesas. Diminuição de rendimentos, layoff, despedimentos e instabilidade financeira foram alguns dos obstáculos que muitas famílias tiveram de enfrentar. Apesar desta situação, as famílias portuguesas continuam a fazer de tudo para garantir que os seus filhos tenham uma vida estável e confortável".
 

Maria João Caetano