Quem já recebeu ou vai receber reembolso de IRS pode pensar em fazer alguma poupança/ investimento com esse dinheiro ou canalizá-lo para abater dívidas.

Bárbara Barroso, é especialista em literacia financeira e esteve na Economia 24 com algumas dicas. Mesmo que já tenha pensado em qualquer uma das sugestões, fica o estímulo extra para que deite mãos às suas finanças. Não se esqueça que poupar é apenas uma das faces da moeda. Saber onde ganhar com o dinheiro que tem é a outra.

1- Amortize dívidas 

"Elimine dívidas. Não faz sentido ter recebido dinheiro extra e não abater dívida. Comece pelas dívidas com as taxas de juro mais elevadas, que tendem também a ser as mais pequenas: cartões de crédito (16%), crédito pessoal sem finalidade específica (13%)", diz a responsável.

Deve lembrar-se que cortar no cartão de crédito significa cortar no consumo inconsciente. O controlo do cartão de crédito permitirá poupar em consumo e eventuais despesas e encargos com a sua utilização. Ou seja, se reduzir, no limite a um, o número de cartões, e tiver a opção de pagamento a 100% no mês seguinte, quando chegar o reembolso do IRS esta nem será uma preocupação.

Nunca se esqueça que as taxas associadas aos cartões de crédito são realmente penalizadoras. Vemos na Reorganiza tantos casos de clientes cujos juros são superiores ao pagamento mínimo… o que significa que tomos os meses acumulam mais dívida.

2 - Fundo de emergência 

Bárbara Barroso, fala ainda de "reforçar ou criar [este fundo]– correspondente a cerca de 6 meses a 1 ano de despesas. Investido em produtos de baixo risco e com liquidez. E aqui se falamos de depósitos a prazo recordar que, em média, estão a dar 0,1%." 

Se já tem fundo de emergência, constitua uma poupança (médio ou longo prazo), por exemplo, em Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC) - garante um mínimo de 1% [em média, em termos líquidos], ao fim de 7 anos de aplicação, porque a partir do segundo ano o rendimento varia em função da taxa de crescimento do PIB. Só podem ser mobilizados a partir do primeiro ano.

3 -  Poupar para a reforma

Ou vá mais longe poupe para a reforma, por exemplo, num Planos Poupança Reforma (PPR) sob a forma de seguro ou de fundos. "Os dados da ASF mostram que em 2017, os PPR sob a forma de seguros renderam, em média, 1,6%. Mas atenção às comissões que podem “comer” grande parte da rentabilidade. Até há um simulador da Deco onde se pode ver qual o melhor. Os PPR sob a forma de fundos têm rendido mais, mas muita atenção que o risco é diferente", acrescenta a especialista.

4 - Um orçamento para férias e regresso às aulas

Se não tens dívidas e já tens uma “almofada” financeira podes aproveitar o reembolso do IRS para as férias. E, para quem tem filhos, deixe já uma parte para o regresso às aulas. Além disso, esta opção tem a dupla vantagem de educar os mais novos. 

5 - Aproveitar para remodelações (obras e/ou decoração)

Podes sempre aproveitar o dinheiro para fazer obras em casa ou remodelar/substituir alguma coisa que esteja mesmo a precisar de uma “reforma”.

6 -  Investir na formação

Também pode ser uma boa solução investir numa pós-graduação, num mestrado ou doutoramento, ou até num curso de línguas. Ou em algo que gostava MESMO de aprender. Canalizar o dinheiro para fortalecer os conhecimentos é sempre uma boa ideia. “Exemplo do workshop online gratuito “Do Zero à Liberdade Financeira”: https://masterclass.moneylab.pt/lp-workshop-online/, diz ainda Bárbara Barroso.

No limite utilizar bem o seu reembolso é também uma boa forma de rever objetivos de poupança e aplicação de dinheiro, com vista a poder ganhar mais algum. Muitas vezes, se o orçamento já é muito apertado também não estica, é verdade. Mas nada melhor que estar sempre a recordar quais os seus objectivos nesta área da sua vida. Guarde-os onde achar conveniente, até pode ser em um papel na carteira para se lembrar diariamente.

Alda Martins