Nem todos os aumentos de preço e medidas fiscais entraram em vigor logo a 1 de janeiro. Há atualizações a começar a 1 de fevereiro, precisamente hoje, quarta-feira: refrigerantes e bebidas açucaradas ficam mais caros, assim como o tabaco.

Neste caso, cada maço vai custar mais 10 cêntimos, sendo que é possível que haja ainda em stock embalagens ao preço antigo, pelo que o efeito poderá não ser sentido por todos os consumidores ao mesmo tempo.

No ano passado, apesar dos agravamentos do preço e das novas campanhas com imagens chocantes nos maços, o consumo aumentou  quase 14% em relação a 2015. O Estado encaixou 1.515 milhões de euros.

Quanto às bebidas, a partir de quarta-feira não fique espantado se o refrigerante que costuma beber estiver também mais caro. Entra em vigor a nova taxa sobre as bebidas com açúcar e adoçantes.

Com este novo imposto cada garrafa de 1,5 litros de refrigerante vai custar mais 15 ou 30 cêntimos, conforme a quantidade de açúcar. Uma lata de Coca-Cola (de 33 cl), por exemplo, como tem 106 gramas de açúcar por litro terá um acréscimo de cinco cêntimos por via deste novo imposto.

Cinco cêntimos esses que vão acrescer ao preço da bebida antes do Valor Acrescentado (IVA). Quer isto dizer que, na prática, a subida do preço final de venda ao público desta bebida será superior a esses cinco cêntimos.

Todos os sumos, com exceção dos néctares vão aumentar de preço. Até as águas com aromas, com adoçante, vão ser taxadas. A mesma coisa com as bebidas com um teor alcoólico superior a 0,5% e inferior ou igual a 1,2% como os vermutes, a sidra e o hidromel.

Portugueses gostam de açúcar

Cada português consome cerca de 34 quilos de açúcar por ano, praticamente o dobro da quantidade que seria desejável.

A ideia é que o preço influencie e na hora de escolher, para os consumidores passarem a optar por bebidas mais saudáveis.

Seja como for, com este novo imposto o Estado espera receber 80 milhões de euros por ano.

Há empresas que vão absorver aumentos

O preço pode não pesar na compra até porque há empresas que não vão aumentar os valores das bebidas, absorvendo a atualização que poderia recair sobre o bolso dos clientes. Preferem fazê-lo a perder clientes.

A Associação Portuguesa das Bebidas Refrescantes Não Alcoólicas propôs ao governo que as bebidas com pouca quantidade de açúcar ou com adoçantes ficassem isentas da nova taxa, mas mesmo as bebidas light ficam mais caras.

Para a associação, este novo imposto pode ameaçar a sustentabilidade da indústria portuguesa e é discriminatório porque, diz, em Espanha o imposto não existe e por cá a taxa de IVA já é superior (23% contra 10% no país vizinho). 

  
Redação / VC