David Neeleman está a negociar a venda de parte da TAP à alemã Lufthansa, numa operação em que pode entrar também a United Airlines. A negociação parte de uma avaliação da empresa portuguesa de 800 milhões de euros, como a TVI revelou há uma semana em "Primeira Mão". Vários espectadores enviaram então perguntas à TVI sobre como pode a TAP valer 800 milhões se tem prejuízos. A resposta foi dada na edição desta quinta-feira do mesmo programa.

Desde a privatização (de 2015 para 2019), a TAP cresceu em todas as frentes: mais 61% de passageiros transportados, mais dois mil trabalhadores e mais 30 aviões na frota, o que permitiu um crescimento da faturação operacional de 2,5 mil milhões naquele ano para 3,3 mil milhões de euros no ano passado (mais 31%). Contudo, a empresa continuou no vermelho, com prejuízos de 106 milhões de euros em 2019 (face a prejuízos de 156 milhões em 2015).

Contudo, o cash flow operacional (EBITDA) cresceu cerca de quatro vezes, passando de 133 milhões em 2015 para 477 milhões em 2019. Ora, este é o indicador tipicamente usado para avaliação de empresas, pois reflete a atividade corrente da empresa e não os investimentos por exemplo na aquisição de aviões. É com base neste cash flow operacional, e na dívida da empresa, que resulta a avaliação de 800 milhões de euros. 

No programa explicámos as razões do crescimento da rentabilidade e avançámos, ainda, com um valor desconhecido, o da avaliação na privatização, que foi próximo de 200 milhões de euros. Esse valor não foi então tornado público, mas está implícito nas operações de financiamento então realizadas.

 
Pedro Santos Guerreiro