O Ministério das Infraestruturas e Habitação sublinhou esta sexta-feira que a TAP “está neste momento a perder dinheiro em praticamente todas as rotas”, depois de críticas do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

Em causa estão declarações do ministro na quinta-feira, numa audição na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, no Parlamento, segundo as quais as quatro rotas criadas no aeroporto do Porto, para Amesterdão, Milão, Zurique e Ponta Delgada, estão com "46% da lotação em média" e são "neste momento um prejuízo para a TAP".

Em comunicado, o a tutela vincou esta sexta-feira que Pedro Nuno Santos “nunca disse que as únicas rotas que dão prejuízo à TAP fossem as quatro referidas ontem [quinta-feira] na audição parlamentar em que esteve presente".

Foi aliás referido nessa mesma audição que a TAP está neste momento a perder dinheiro em praticamente todas as rotas, incluindo aquelas que se fazem a partir do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Esse é, como é visível, o cenário em praticamente todo o setor da aviação”, refere a mesma nota.

No comunicado, lê-se que “atualmente existem 11 rotas operadas pela TAP a partir do Porto e que, apesar de praticamente todas as companhias estarem a reduzir fortemente a operação no inverno, a TAP vai manter 10 rotas no Porto”, o que o governante acredita demonstrar “o grande compromisso da companhia aérea pública com a região”.

Na audição, quando o ministro referiu as quatro rotas que estavam a dar prejuízo a partir do Porto, estava a responder relativamente aquelas que foram introduzidas após as reuniões do grupo de trabalho que existiu entre a TAP e as associações da região Norte”, esclareceu, sublinhando que “nas rotas assinaladas a lotação não atinge os 50%, o que não permite sequer pagar os custos variáveis da operação”.

No comunicado, o Ministério salienta ainda que “a TAP se encontra a elaborar um plano de reestruturação em que, como avançou o ministro, se pretende apostar na TAP Express para ser um dos instrumentos que permita à TAP aproveitar melhor os aeroportos de Porto e Faro”.

Pelos vistos, são as quatro rotas do Porto que dão prejuízo à TAP. As rotas de Lisboa darão lucro. A nova rota Lisboa/Bilbau deve ser um 'must' em termos de rentabilidade e importantíssima para uma estratégia nacional. Promover visitas ao Guggenheim basco é 'top'. Mas, senhor ministro, são boas notícias", ironizou o presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, numa publicação na sua página na rede social Facebook.

Reagindo às declarações de Pedro Nuno Santos, Moreira sugeriu parar com as quatro rotas do Porto que dão prejuízo e a incorporar a TAP na Carris ou na Soflusa.

Se são as quatro rotas do Porto que dão prejuízo, pare com elas. Mas, por favor, incorpore a TAP na Carris ou na muito rentável Soflusa. Nós não nos importamos, havemos de encontrar uma solução. Para Lisboa é ótimo: fica com a TAP que, sem o prejuízo do Porto, deixa de ser um perdócio", lê-se na mesma publicação intitulada "As boas notícias da TAP".

Norte recusa que aeroporto do Porto fique como “patinho feio” da transportadora

O presidente do Conselho Regional do Norte reconheceu  que a TAP atravessa um momento "complexo", mas defendeu que o aeroporto do Porto "não pode ficar sinalizado como o patinho feio da transportadora aérea".

O momento é delicado para o país, que vive a crise económica de uma pandemia e é complexo para a TAP, que tem de apresentar um plano de restruturação em Bruxelas até ao final do ano, mas pelo meio não pode ficar o aeroporto do Porto sinalizado como o patinho feio da transportadora nacional", afirmou à Lusa Miguel Alves.

Para o socialista, que preside ao Conselho Regional do Norte, órgão consultivo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), "é no Porto e no Norte que o país encontra as suas empresas mais exportadoras, o seu motor industrial, a capacidade de crescer no turismo e a ligação mais forte à diáspora".

O radar político que decidirá o futuro da TAP tem de ter em conta o aeroporto Francisco Sá Carneiro e todo o potencial do Norte", sustentou.

Miguel Alves, que é também presidente da Câmara de Caminha, no distrito de Viana do Castelo, admitiu que, "nos últimos meses, as notícias da relação da TAP com o Norte do país têm sido infelizes e as declarações equívocas do ministro das Infraestruturas não ajudaram a desanuviar o ambiente de desconforto que ele próprio contesta".

Dar conta dos prejuízos das rotas como um problema atual da operação da TAP, colocando o foco no prejuízo que a empresa terá com as rotas que partem do Porto, não é só injusto para a região como é o contrário da estratégia que o Governo vem anunciado para a TAP, como companhia bandeira de Portugal", especificou.

Miguel Alves admitiu que "as rotas do Norte não sejam rentáveis", mas questionou se "são só as rotas do Porto que dão prejuízo e, se no Porto não há outras rotas, de outras companhias, a dar lucro".

Se não são só as rotas do Porto a dar prejuízo, então não se coloque no Norte o anátema da TAP pouco rentável, se há outras companhias aéreas a rentabilizar operações a partir do Porto, então é porque a TAP sabe pouco do que anda a fazer", adiantou.

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