A TAP registou perdas de cerca de 600 milhões de euros no primeiro semestre de 2020. Segundo um comunicado da companhia aérea, foi registado um resultado líquido consolidado negativo de 582 milhões de euros no primeiro semestre de 2020, o que representa 96% do resultado líquido do primeiro semestre do Grupo TAP (consolidado da TAP SGPS), que foi negativo em 606 milhões de euros.

As perdas comunicadas são justificadas com o contexto de pandemia, que causou enormes prejuízos a toda a economia e à indústria de transporte aéreo em particular.

A partir de março o impacto da pandemia fez-se sentir fortemente na companhia aérea. Foram menos 4,9 milhões de passageiros no primeiro semestre do ano, mesmo tendo em conta o bom desempenho nos meses de janeiro e fevereiro.

Estes dados representam uma quebra de 62% no total de passageiros transportados no primeiro semestre de 2020, quando comparado com o mesmo período no ano de 2019.

Os dados divulgados pela TAP revelam uma quebra de 730 milhões de euros em receitas de passagens, menos 57,2% nos primeiros seis meses de 2020 em relação ao período homólogo.

Os custos com gastos operacionais também diminuíram. Com toda a frota parada durante muito tempo e a ausência de voos foram gastos menos 460 milhões de euros no primeiro semestre de 2020.

A TAP refere que, para fazer face à crise provocada pela pandemia, tomou “diversas medidas adicionais para preservar a liquidez e o futuro de longo prazo da empresa”. Entre essas medidas estão a redução de custos, a suspensão ou o adiamento de investimentos não críticos e também a renegociação de contratos e prazos de pagamento.

A companhia aérea menciona que essas medidas permitiram a sobrevivência da empresa até à chegada do auxílio do Estado português, que injetou 946 milhões de euros na empresa, valor que pode subir em mais 254 milhões de euros.

O primeiro trimestre do ano já tinha revelado resultados bastante negativos. Os prejuízos chegaram aos 395 milhões de euros nos meses de janeiro, fevereiro e março.

A transportadora quase quadruplicou os prejuízos uma vez que “que no período homólogo de 2019 o resultado líquido foi de -106,6 milhões de euros.

Os resultados negativos apresentados devem-se sobretudo ao período entre março e junho. Antes disso, nos meses de janeiro e fevereiro, a TAP destaca evoluções muito positivas dos principais indicadores de atividade”.

Nos primeiros dois meses do ano foram transportados mais 280 mil passageiros do que no mesmo período de 2019, num total de 2,4 milhões de pessoas transportadas, valor que representa um acréscimo de 13,4% face ao período homólogo.

As receitas de passagens atingiram os 411 milhões de euros, um valor superior em 71 milhões de euros quando comparado com o mesmo período de 2019.

António Guimarães