É a principal mensagem subjacente ao Boletim Económico de Inverno. Portugal tem de aproveitar os tempos de acalmia para reduzir a dívida e preparar-se para a altura em que as taxas de juro vão voltar a subi. E elas vão voltar a subir. Até porque os estímulos do Banco Central Europeu (BCE) não podem durar para sempre.

No documento pode ler-se que "a natureza temporária das medidas de política monetária na área do euro reforça a urgência e a importância de progressos estruturais".

O Banco de Portugal não o diz, mas de acordo com a fórmula já usada num artigo publicado no boletim económico, é possível calcular que sem as medidas de estímulo do BCE, as taxas de juro da dívida pública, que atualmente rondam os 3,5%, saltariam para 5,5%. Um nível há poucos dias considerado insustentável pela presidente do Conselho de Finanças Públicas.

É uma sombra no horizonte ainda que, num futuro imediato, as previsões pareçam solarengas para a economia nacional.

A instituição liderada por Carlos Costa prevê que a economia nacional cresça 1,2% este ano, é mais uma décima do que previa em outubro.

Nos próximos anos, e até 2019, o crescimento deve estabilizar em torno de 1,5%.

Um crescimento tímido mas assente num modelo mais sustentável, com as exportações a ganharem força e a representarem praticamente metade do Produto Interno Bruto em 2019. E com o investimento a recuperar terreno sobre o consumo privado, no plano interno.

Mesmo assim, o Banco de Portugal assume que, face às previsões de junho para 2016-2017, prevê agora uma “evolução mais fraca”, quer na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) este ano como no que toca ao consumo privado no ano que vem.

O Banco de Portugal aponta ainda para uma queda gradual da taxa de desemprego, que deverá atingir os 8,5% no final da década.

Paula Gonçalves Martins / com ALM