O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê para Portugal uma dívida pública de 135% do Produto Interno Bruto (PIB) e um défice de 7,1% em 2020 devido à pandemia de Covid-19, segundo o 'Fiscal Monitor' divulgado esta quarta-feira.

Segundo o documento do FMI, a dívida pública passará dos 117,7% do PIB de 2019 para 135% em 2020 devido à pandemia, e deverá descer para 128,5% em 2021.

Já o saldo orçamental passará de um excedente de 0,2% em 2019 para um défice de 7,1% em 2020, descendo para 1,9% em 2021.

No conjunto, as dívidas públicas da maior parte dos países do sul da zona euro vão ficar acima dos 100% do PIB em 2020, com a Grécia a chegar aos 200%, segundo as previsões do Fundo.

O 'Fiscal Monitor' do FMI, a dívida pública grega é a que vai alcançar um valor maior em percentagem do PIB, aumentando mais de 20 pontos percentuais, chegando aos 200,8% em 2020 depois de 179,2% em 2019, e baixando para 194,8% em 2021.

A dívida pública italiana subirá dos 134,8% do PIB de 2019 para os 155,5% em 2020, descendo para os 150,4% em 2021, de acordo com as projeções do FMI.

Já a dívida pública espanhola, de acordo com os números da instituição financeira internacional, subirá dos 95,5% do PIB de 2019 para os 113,4% em 2020, sofrendo um agravamento adicional para 114,6% em 2021.

A dívida pública francesa também irá ultrapassar os 100% do PIB, passando de 98,5% em 2019 para 115,4% em 2020, aumentando subsequentemente para 116,4% do PIB em 2021.

 

Resposta à Covid-19 chega aos 7,3 biliões de euros

O diretor de Assuntos Fiscais do Fundo Monetário Internacional, Vítor Gaspar, salientou esta quarta-feira em conferência de imprensa que as medidas de combate à covid-19 a nível mundial chegam aos 7,3 biliões de euros.

De acordo com o 'Fiscal Monitor' [do FMI], ações de política discricionária com impacto direto no orçamento chegam aos 3,3 biliões de dólares [cerca de 3 biliões de euros, a nível mundial], e injeções de liquidez chegam aos 1,8 biliões de dólares [cerca de 1,7 biliões de euros], e garantias representam 2,7 biliões de dólares [cerca de 2,5 biliões de euros]", destacou Vítor Gaspar em conferência de imprensa.

O antigo ministro das Finanças português salientou que os 7,3 biliões de euros em apoio correspondem a 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Vítor Gaspar considerou "imperativo que as políticas orçamentais protejam as pessoas e empresas que ficaram mais vulneráveis com a crise".

Para as famílias, os objetivos são suprir as necessidades básicas e evitar dificuldades desnecessárias. Ações incluem deferimento do pagamento de impostos, transferências de dineiro, subsídios de desemprego aumentados e assistência social", detalhou.

Vítor Gaspar considerou que estas medidas são "linhas de segurança com o objetivo de preservar padrões de vida decentes e vivências".

Para as empresas, o objetivo é evitar sustos permanentes. As políticas orçamentais podem ajudar a preservar o emprego e os salários, mantendo capacidade que será crucial para a recuperação do emprego. Estas incluem evitar falências desnecessárias e liquidação de ativos", referiu. 

Vítor Gaspar referiu que "numa emergência é crucial atuar rapidamente e decisivamente", o que implica "transparência" e "avaliações posteriores" das medidas prestadas. 

O antigo ministro das Finanças acabou por citar várias vezes a frase de Mario Draghi, que disse que faria "tudo o que fosse necessário para salvar o euro" no auge da crise das dívidas soberanas, mas com aplicação às medidas de política orçamental necessárias a nível mundial.

Vítor Gaspar constatou que os rácios de dívida pública vão aumentar por todo o mundo, e que "a incerteza é muito grande" no contexto das previsões agora elaboradas pelo FMI, apelando ainda à "coordenação entre os países e dentro dos países".

 
/ Publicado por Henrique Magalhães Claudino (Atualizada às 15:02 por ALM)