O Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) acredita que este ano o crescimento económico “se venha a situar num intervalo de 2,5% a 4,5%”, mas o valor concreto depende da evolução da situação sanitária.

Na sua síntese de conjuntura do mês de janeiro, a instituição explica que "a partir do primeiro trimestre, num cenário plausível de melhorias progressivas e sustentadas no controlo da pandemia, a economia deverá regressar ao crescimento em cadeia de forma mais regular e sustentada”.

Ainda assim, “admite-se que a resposta da economia será, inicialmente, relativamente rápida e robusta, mas o ritmo de crescimento será muito provavelmente marcado pelo maior ou menor controle da evolução da pandemia”.

Assim, neste cenário, “admite-se, como mais provável que, em termos anuais, o crescimento em 2021 se venha a situar num intervalo de 2,5% a 4,5%, com o limite inferior a resultar de maiores dificuldades na frente sanitária e o limite superior a pressupor uma evolução mais favorável do controlo da pandemia”, indicou o ISEG.

As previsões para o crescimento da economia nacional em 2021 vão desde os 1,7% da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aos 6,5% do Fundo Monetário Internacional (FMI), depois de um 2020 marcado pela pandemia de covid-19.

Os números mais otimistas, do FMI, contrastam com os do Governo e da Comissão Europeia, que apontam de forma igual para um crescimento do PIB de 5,4%, ao passo que o Conselho das Finanças Públicas (CFP) espera uma recuperação de 4,8% em 2021.

O Banco de Portugal divulgou em 14 de dezembro a sua atualização de previsões, apontando para um crescimento económico de 3,9% em 2021, esperando ainda crescimentos de 4,5% e 2,4% em 2022 e 2023, respetivamente.

A previsão mais pessimista é a da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que aponta para um crescimento económico de apenas 1,7% no próximo ano.

Nos números do Governo, patentes no relatório do Orçamento do Estado para 2021, o executivo aponta para "um contributo positivo, tanto da procura interna (4,1 p.p.), como da procura externa líquida (1,3 p.p.), por via de um maior dinamismo das componentes de consumo privado, investimento e consumo público, e de um crescimento das exportações mais intenso que o esperado para as importações".

"Assim, para 2021, prevê-se um aumento do consumo privado em 3,9%, após uma redução esperada de 7,1% em 2020", pode ler-se no documento, que também dá conta de "uma gradual melhoria no mercado de trabalho, levando a um ligeiro aumento no rendimento disponível das famílias e a uma redução da taxa de poupança", estimando ainda "um crescimento do consumo público de 2,4% em 2021 (-0,3% em 2020)".

/ MJC