O Governo estima que o Produto Interno Bruto (PIB) português cresça 5,4% em 2021, uma revisão em alta face às previsões divulgadas em junho aquando da apresentação do Orçamento Suplementar de 2020 (4,3%).

Para 2021 perspetiva-se uma recuperação da economia portuguesa, com um crescimento real do PIB de 5,4%, face à forte contração de 8,5% estimada para 2020", pode ler-se no relatório que acompanha a proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2021 (OE2021).

De acordo com o Governo, "o crescimento previsto para 2021 está em linha com o crescimento esperado para a área do euro, que deverá situar-se em 5,1% (-7,9% em 2020) de acordo com as últimas previsões da OCDE (setembro último)".

Leão mais pessimista que Centeno antecipa PIB nos 8,5% este ano

O Ministério das Finanças prevê que o PIB caia 8,5% este ano, uma previsão mais pessimista do que a divulgada pelo Banco de Portugal (BdP) na semana passada (8,1%).

No relatório que a companha a proposta de lei do OE2021, o Governo fala de uma "forte contração" em 2020, e piora as previsões do Orçamento Suplementar (-6,9%) em termos de evolução económica, "resultado de uma quebra mais acentuada, face ao então estimado, nas componentes do consumo privado e exportações, assim como de uma contração do consumo público".

As previsões esta segunda-feira divulgadas pelo ministério liderado por João Leão contrastam com as divulgadas na semana passada pelo Banco de Potugal, agora liderado pelo ex-ministro Mário Centeno, seu antecessor, que aponta para uma queda de 8,1% do PIB em 2020.

Dívida pública chega aos 134,8% do PIB em 2020 e 130,9% em 2021 

O Ministério das Finanças estima que a dívida pública deverá atingir os 134,8% do PIB este ano e prevê que desça para os 130,9% no próximo, segundo o relatório do OE2021.

De acordo com o documento esta segunda-feira divulgado, "em 2021 espera-se que o rácio da dívida pública retorne à trajetória descendente dos anos anteriores a 2020".

Nesse sentido, prevê-se uma redução do rácio de -3,9 p.p. [pontos percentuais] para 130,9% do PIB. O principal contributo será dado pela retoma do crescimento nominal do PIB e, em segundo plano, pela redução dos depósitos das administrações públicas em cerca de 1,7 p.p. do PIB", pode ler-se no documento.

As Finanças antecipam ainda que "o saldo primário e os juros deverão contribuir para o aumento da dívida (1,7 p.p. e 2,6 p.p., respetivamente), ainda que esse contributo seja já menor que o estimado para 2020".

Em 2019, o rácio da dívida pública face ao PIB foi de 117,2%.

/ CE - Notícia atualizada às 23:13