O Banco de Portugal destacou hoje a recuperação económica que o país vem alcançando, mas mostra preocupação nomeadamente quanto ao fraco crescimento da produtividade do trabalho, porque pode conduzir a desequilíbrios externos. O supervisor da banca recomenda, por isso, "maiores níveis de investimento".

O reduzido crescimento da produtividade aparente do trabalho na economia portuguesa nas últimas décadas constitui fator de preocupação pois limita a capacidade de sustentar maiores níveis de consumo sem incorrer em desequilíbrios externos. Uma significativa aproximação do produto por trabalhador aos níveis vigentes na média dos países da área do euro constitui um desafio particularmente importante num contexto em que subsistem fragilidades na economia portuguesa".

Na semana passada, surgiu um outro aviso, este da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO): o abrandamento do consumo e o investimento fraco ameaçam o crescimento da economia.

Hoje, no boletim económico de maio, a instituição liderada por Carlos Costa deixa avisos nesse sentido, mas também assinala progressos, nomeadamente no mercado de trabalho; "As condições no mercado de trabalho continuaram a evidenciar uma recuperação significativa, num quadro de maior dinamismo salarial".

Seja como for, lembra que o emprego se mantém "em níveis historicamente baixos", apesar da "evolução positiva" de 2016. O emprego total aumentou 1,2% em 2016 (após um aumento de 1,1% em 2015) e a taxa de desemprego ficou nos 11,1% 

O desemprego de longa duração também baixou, "mas continua a ter um peso preponderante no desemprego total". A percentagem fala por si: 62,1%.

O banco central faz assim uma análise à evolução da economia portuguesa em 2016, ano em que se registou "um crescimento moderado" do Produto Interno Bruto e uma "redução significativa do défice orçamental". Contudo, persistem "fragilidades relacionadas com o elevado nível de endividamento".

Na sequência da crise financeira internacional, o Banco Central Europeu (BCE) ajudou a que o cenário não seja hoje ainda pior. A diminuição das taxas de juro "teve um contributo fundamental para o alívio do serviço da dívida das famílias portuguesas e para a diminuição das suas restrições de liquidez". Fala mesmo num "impacto de primeira ordem" para a economia nacional.

Uma economia que, congratula-se, "tem revelado uma notável capacidade de ajustamento macroeconómico e uma reestruturação setorial assente numa dinâmica de internacionalização das empresas".

A continuação do crescimento económico e o aumento do bem-estar dos cidadãos exigem, contudo, o reforço do investimento produtivo das empresas e a disponibilidade de recursos humanos qualificados, num quadro de estabilidade financeira e de previsibilidade legislativa, sem comprometer o equilíbrio das contas externas". 

Até porque as baixas taxas de poupança, o elevado endividamento, a evolução demográfica desfavorável e a incerteza política que se vive na Europa e em todo o mundo impõem essa abordagem.