A adesão à greve de três dias dos trabalhadores da Renault Cacia, em Aveiro, que termina esta terça-feira às 22:00, rondou os 90% no setor da produção, disse a Comissão de Trabalhadores, que faz um balanço positivo da paralisação.

“A empresa tem de assumir as suas responsabilidades perante esta mobilização que tem mostrado que os trabalhadores estão unidos e estão descontentes com esta postura incompetente da administração”, disse Bruno Rafael, da Comissão de Trabalhadores.

Cerca de 50 trabalhadores estavam concentrados pelas 15:30, junto à portaria da empresa, em protesto pelo assédio, repressão e perseguição que dizem estar a sentir e para exigir um aumento salarial de 65 euros.

O terceiro dia da greve intercalada ocorreu após uma tentativa frustrada para resolver a situação numa reunião que teve lugar na segunda-feira entre a Comissão de Trabalhadores e o diretor de recursos humanos da Renault Ibéria.

“Eles continuam intransigentes relativamente às nossas reivindicações, coisa que não compreendemos porque já andamos nisto desde abril, à espera de uma resposta para os problemas sociais graves que a empresa tem apresentado”, disse o porta-voz da Comissão de Trabalhadores.

Bruno Rafael fala num "clima social tóxico" que se vive na empresa, adiantando que os trabalhadores têm vindo a ser “mal tratados constantemente” e acusa a administração de ameaçar os operários para não aderirem à greve.

O representante dos trabalhadores revelou ainda que estão já marcados plenários para os dias 14, 15 e 16 para fazer um ponto de situação e decidir o que os trabalhadores vão fazer no futuro, estando em cima da mesa a possibilidade de realizar novas greves.

A Lusa tentou obter uma reação por parte da empresa, sem sucesso até ao momento.

“A falta de respostas às legítimas reivindicações que os trabalhadores entregaram através de uma resolução aprovada em plenários em abril de 2019, e apesar de todos os esforços feitos na procura de diálogo, levou a que não restasse outra alternativa aos trabalhadores senão avançar para a greve”, refere um comunicado do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Norte (SITE).

Segundo aquele sindicato, verifica-se “um sentimento de frustração coletiva pela falta de reconhecimento da administração pelo empenho e dedicação dos trabalhadores”.

“Mesmo depois dos inúmeros alertas concretizados pelas organizações de trabalhadores sobre a pressão e ritmos de trabalho elevados, estes não param”, com reflexo nos acidentes de trabalho e baixas por doença, acrescenta o sindicato.

O pré-aviso de greve para os dias 7, 10 e hoje, com paralisação de 24 horas em cada um dos dias, foi entregue depois de aprovado em plenários de trabalhadores realizados em 27 e 28 de outubro.