Vários parceiros da plataforma Uber fizeram uma marcha pelas ruas de Lisboa de forma a alertar para a nova ferramenta relativa a comissões disponibilizada pela operadora, que afirmam impedir muitos de trabalhar.

Em declarações à Lusa, Ângela Reis, uma das parceiras envolvidas no protesto, explicou que a marcha foi organizada de um dia para o outro "porque, desde quinta-feira passada, a Uber colocou uma ferramenta à disposição dos motoristas que permite baixar ou levantar as comissões”.

“Fomos surpreendidos com esta medida do multiplicador. Apercebemo-nos de que muitos motoristas baixavam para o tal mínimo de 0.7, o que pode implicar um ganho de 50 cêntimos/um euro num serviço, isso nem para o gasóleo dá”, afirmou.

Ângela Reis explicou ainda que já são muitas as famílias “em desespero porque a 0.7 não conseguem sustentar o negócio, nem o rendimento e que na sua maior parte só têm um carro”.

De acordo com informação da Uber, desde dia 29 de outubro, os motoristas passaram a poder definir a sua própria tarifa para viajar em Lisboa, onde teve início esta medida.

Caso os motoristas não pretendam alterar a sua tarifa, continuarão a receber pedidos de viagem com o valor atual: 0.90 cêntimos de tarifa base, 0.09 cêntimos por minuto e 0.59 cêntimos por quilómetro, segundo a Uber.

Os motoristas podem baixar ou subir as suas tarifas dentro de uma escala entre o multiplicador 0.7x e 2x, sendo esse multiplicador aplicado às tarifas base, de tempo e distância, bem como à tarifa mínima.

Já os passageiros vão ver o preço final da viagem, já com a indicação do multiplicador definido pelo condutor, podendo decidir aceitar ou rejeitar o serviço.

No entanto, aquilo que Ângela Reis explicou que se está a passar atualmente é que “nem sempre o carro que está mais perto do cliente é aquele que é enviado, mas sim aquele que tem a tarifa mais baixa aplicada mesmo que se encontre mais longe”.

“Isto não faz sentido. Em quatro dias há motoristas que só tiveram um ou dois serviços porque continuam a aplicar a mesma tarifa que sempre aplicaram”, considerou, acrescentando que a própria plataforma está a forçar os motoristas a descer a tarifa ao enviar “sistematicamente mensagens através da aplicação a dizer que nas imediações os motoristas estão a aplicar 0.7 quando na realidade não estão”.

Segundo a organização do protesto, que passou pela Autoestrada 5, Amoreiras, Marquês de Pombal, Avenida da Liberdade, Rossio, Rua do Ouro, Av. João V e novamente Amoreiras, onde se encontram os escritórios da Uber, estiveram no cortejo perto de 500 motoristas.

À Lusa, fonte do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa avançou que as autoridades tiveram conhecimento e acompanharam o protesto, adiantando que deram conta da presença de cerca de 60 motoristas.

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