O presidente executivo interino da EDP afirmou, esta sexta-feira, que “não foi, nem será” constituída qualquer provisão no âmbito do processo em que a elétrica foi constituída arguida no caso envolvendo o ex-secretário de Estado da Energia Artur Trindade.

Não fizemos nenhuma provisão nas nossas contas, nem temos intenção de o fazer. Aliás, nem há nenhum número que pudéssemos sequer tentar usar como referência”, afirmou Miguel Stilwell de Andrade numa ‘conference call’ com analistas para apresentação dos resultados do primeiro semestre da EDP.

Questionado por um analista sobre o caso legal em curso - no âmbito do qual tanto a empresa, como o antigo governante e atual presidente do OMIP (Operador do Mercado Ibérico) foram constituídos arguidos e os presidentes da EDP e da EDP Renováveis, respetivamente António Mexia e João Manso Neto, foram afastados dos cargos por suspeitas dos crimes de corrupção ativa e de participação económica em negócio – o presidente interino da elétrica garantiu: “Não aprovisionámos, não temos intenção de o fazer e nem temos nenhuma referência para o fazer”.

Segundo Miguel Stilwell de Andrade, “o calendário [legal do processo] é incerto”, mas “certamente que não haverá muitas novidades no curto prazo”.

O caso poderá arrastar-se no tempo, como sabem os casos legais em Portugal normalmente prolongam-se por vários anos”, disse, garantindo não ter quaisquer “novas informações a dar” neste âmbito, “até porque agosto é um mês muito parado”.

Neste processo, que investiga suspeitas de corrupção ativa e participação económica em negócio, relacionado com os procedimentos sobre a introdução no setor elétrico nacional dos Custos para Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC), entre outros factos apontados pelo Ministério Público, são arguidos Mexia e Manso Neto, Manuel Pinho, Ricardo Salgado e João Conceição e Rui Cartaxo, entre outros.

Em causa estão alegados benefícios para a EDP de 1,2 mil milhões de euros.

A EDP foi constituída arguida apenas em relação a Artur Trindade e não aos restantes factos que ditaram, entre outras medidas, a suspensão de Mexia e Manso Neto dos cargos, sendo apontadas alegadas irregularidades na contratação do pai de Artur Trindade pela empresa, assim como a entrada do ex-governante para o OMIP.

/ Publicado por MM