Perante uma plateia de economistas e num exame ao Orçamento do Estado para 2017, o ministro das Finanças teve umas palavras para a Comissão Europeia e a 'perseguição' que tem feito ao Governo desde que tomou posse. Mário Centeno espera, pelo menos, poder passar o Natal descansado.

A vida de um ministro dad Finanças - eu não me venho aqui queixar - não é fácil. Mas eu gostava só que atentassem na agenda dos últimos 11 meses. Há cartas, relatórios, algum comentário todos os meses".

Não se ficou por aí, detalhou vários momentos em que Bruxelas veio meter o nariz em Portugal. "Todos os meses desde dezembro temos ou previsões da Comissão Europeia, ou missões pós-programa, ou relatórios de missões pós-programa ou cartas sobre os exercícios orçamentais - que são sempre múltiplas e às vezes enigmáticas - ou processos de sanções que, quando se fecham, entram em processo sobre os fundos".

Assim mesmo, uma série de exemplo, que vão para além do descritivo. Em alguns casos, como as cartas e as sanções, carregados de evidente ironia e sinal de reprovação.

"Se vocês fizerem o calendário desde dezembro, todos os meses tivemos algum entretenimento sobre esta matéria", continuou ainda o ministro, ao terminar o seu discurso na 12ª conferência anual da Ordem dos Economistas sobre o Orçamento. 

Os votos que faço e o trabalho do Governo tem sido dirigido neste sentido, é que em dezembro apenas festejemos o Natal".

Para que isso aconteça, já lá fora disse aos jornalistas que vai prestar os esclarecimentos pedidos por Bruxelas dentro do prazo e desdramatizou o que está em causa.

Bruxelas solicitou uma resposta até ao final do dia de hoje. As medidas que refere na carta são muito limitadas: apenas uma clarificação sobre o exercício de previsão de receita. É exatamente isso que o Governo vai clarificar".

Centeno lembrou ainda que a carta de Bruxelas frisou o diálogo construtivo entre ambas as partes e disse que essa é "a atitude do Governo" neste processo. 

A Comissão identificou “riscos e discrepâncias” no Orçamento, naquela carta, mas ontem, o comissário Pierre Moscovici esclareceu que o projeto de Orçamento apresentado por Portugal “parece cumprir os critérios” e que apenas pediu ao Governo para clarificar de forma mais precisa as medidas que tenciona tomar.

Indicou também que "teve muitas discussões com as autoridades portuguesas” e, em particular, com Mário Centeno, estando confiante numa resposta à altura. O ministro também está confiante que vai ficar tudo esclarecido e que o ano pode acabar com festejos natalícios sem preocupações de maior.

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Vanessa Cruz