A Ficth considera que a dívida emitida em março pela Caixa Geral de Depósitos, para se recapitalizar, é lixo. A agência de notação financeira atribuiu hoje o rating de B-, o sexto dentro do grau de não investimento a esses 500 milhões de euros emitidos.

A notação que têm agora estes títulos de dívida perpétua (de elevada subordinação, que conta para capital) ficam três degraus abaixo do rating de viabilidade de investimento. Esta agência dá à Caixa Geral de Depósitos a nota de bb-, também lixo.

Qual a justificação? A Fitch diz que segue o critério usado habitualmente para instrumentos híbridos (dívida mas que conta para capital), assim como uma “maior expectativa de perdas” face a credores seniores não segurados e ainda ao “risco de má performance”, devido a estes títulos implicarem o “pagamento discricionário” do cupão.

Foi a 23 de março que o banco público emitiu 500 milhões de euros de dívida perpétua junto de investidores institucionais, a uma taxa de juro de 10,75%.

Esta emissão de dívida faz parte da recapitalização do banco público, num montante de cerca de 5.000 milhões de euros, depois de ter apresentado um prejuízo histórico de 1.859 milhões de euros em 2016.

A CGD pretende emitir um total de 930 milhões de euros de dívida subordinada, no âmbito da segunda fase do plano de recapitalização.

A emissão é perpétua, mas a Caixa poderá amortizá-la antecipadamente, ao fim de 5 anos e a partir dessa data. Poderá fazê-lo em cada uma das datas de pagamento de juros. Para isso, terá de ter autorização das autoridades competentes. 

Também hoje, outra agência, a Moody's, reviu em baixa o rating da dívida sénior do Novo Banco, justificando a decisão com a operação de troca de obrigações que integra a operação de venda do banco à Lone Star.