A agência de notação financeira Moody's não se pronunciou esta sexta-feirasobre o 'rating' atribuído a Portugal, mantendo a dívida pública portuguesa numa notação de 'lixo' ('Ba1').

Havia a expectativa de que a Moody's retiraria Portugal do 'lixo' hoje, depois de ter melhorado para positiva a perspetiva sobre a dívida pública portuguesa em setembro e de um vice-presidente da agência ter dito que a dívida pública portuguesa estaria prestes a regressar à nota de investimento.

No entanto, a Moody's optou hoje por não rever o 'rating' atribuído a Portugal, mantendo a notação 'Ba1', atribuída ao país desde julho de 2014.

Assim, a agência norte-americana continua a ser a única entre as quatro maiores a atribuir à dívida pública portuguesa uma nota de especulação, quando já a DBRS, Fitch e Standard & Poor's (S&P) atribuem uma nota de investimento, acima do 'lixo'.

Hoje a DBRS reviu em alta a nota atribuída a Portugal para 'BBB', um segundo nível de investimento, juntando-se à Fitch que, em dezembro, surpreendeu ao passar a dívida pública portuguesa do lixo também para um segundo nível já no positivo.

Anteriormente, em setembro, a S&P foi a primeira das 'três grandes' a tirar Portugal do 'lixo', juntando-se à DBRS - que desde 2012 atribui uma nota de investimento à dívida pública portuguesa, o que foi essencial para que Portugal pudesse aceder ao programa de compra de dívida pública pelo Banco Central Europeu (BCE).

Por sua vez, desde abril de 2011 que a Moody's atribui uma nota especulativa a Portugal. Nessa altura, a nota era a 'Ba2', tendo piorado para 'Ba3' em fevereiro de 2012, mantendo-se neste nível até 2014.

Em 2014, a Moody's melhorou o 'rating' atribuído a Portugal duas vezes, primeiro para 'Ba2', em maio, e depois para 'Ba1', em julho. Esta é a nota que dá à dívida pública portuguesa desde então.

Em setembro do ano passado, a agência norte-americana melhorou a perspetiva sobre a dívida pública portuguesa de estável para positiva. Recorde-se que uma perspetiva positiva indica que a notação poderá ser melhorada num horizonte até 18 meses.

Mais recentemente, em fevereiro, o vice-presidente responsável pela avaliação do risco soberano da Moody's, Evan Wohlmann, admitiu, numa apresentação em Lisboa, que "Portugal está prestes a regressar à nota de investimento".

Apesar de na conferência Evan Wohlmann se ter mostrado otimista, quando questionado diretamente pela agência Lusa se uma melhoria do 'rating' na próxima revisão estaria garantida, o analista disse estar à espera de sinais positivos também para o médio prazo.