A Moody’s continua a manter o rating da dívida portuguesa na categoria de "lixo" com notação Ba1 e diz que esse é um dos grandes desafios do Governo: a redução da dívida e boas perspetivas de crescimento de longo prazo.

“O rácio da dívida pública bruta de Portugal continua a ser um dos mais elevados da UE e o mais elevado no espaço Ba1”, afirma Evan Wohlmann, analista sénior da Moody’s numa nota da agência.

No cenário base da Moody's, o rácio dívida / PIB diminuirá gradualmente, suportado por um superávit primário médio de 2,3% nos próximos dois anos e um crescimento nominal moderado do Produto Interno Bruto mas continuará a ser de cerca de 125% do PIB em 2020.

Já no que toca ao défice, depois de melhorar para 1,8% do PIB em 2017, a Moody's "prevê que o défice das administrações públicas de Portugal se deteriore ligeiramente em 2018 para 2% do PIB, em comparação com um défice de 1% previsto para o próximo ano pelas autoridades portuguesas", devido às suspeitas da agência de um "crescimento mais moderado e forte nas despesas. No entanto, o défice permanecerá abaixo do limiar de Maastricht de 3% estabelecido pela Comissão Europeia".

Apesar das preocupações, a agência de notação financeira norte-americana reconhece a recuperação da economia portuguesa patente na estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgada esta semana.

O perfil de crédito de Portugal é suportado pela recuperação económica, regresso aos mercados de capital, diversificação económica e níveis relativamente elevados de riqueza média“, afirma Evan Wohlmann.

A agência estima que a recuperação económica portuguesa vai continuar, “com um aumento do produto interno bruto (PIB) para 1,7% em 2017, antes abrandar para 1,4% em 2018″.

E não tem dúvidas que “o investimento terá um papel muito importante na condução da atividade económica ao longo dos próximos dois anos, suportado pelo aumento dos investimentos em transportes e maquinaria na segunda metade de 2016 e pelo fim da incerteza política”.

Mesmo assim, diz, Portugal continua com picos de crescimento de curto prazo e as perspetivas de crescimento no longo prazo continuam “moderadas”. E aqui o analista da Moody’s aponta o dedo à “persistência de elevados níveis de endividamento do setor privado, agravados pela fraqueza do setor bancário”.

No caso português, e não está sozinho nisso, a realidade não é a desejável. Atualmente só a DBRS não tem o país na categoria de “lixo”.

Agência Longo prazo notação Outlook
DBRS BBB (low) Estável
Fitch Ratings BB+ Estável
Moody’s Ba1 Estável
Standard & Poor’s BB+ Estável
Alda Martins