[Notícia actualizada às 15h55 com reacção da CGTP]

O secretário-geral da UGT lamenta a ignorância da chanceler alemã quanto à realidade portuguesa, depois de Angela Merkel ter defendido que devíamos aumentar a idade da reforma e ter menos férias.

«A senhora Merkel mostra que nao se preocupa com a união da Europa nem com a coesão social e mostra uma profunda ignorância relativamente à realidade portuguesa, pois os portugueses ja se reformam mais tarde que os alemães e trabalham mais horas por ano», disse João Proença à agência Lusa, à margem do congresso da Confederação Europeia de Sindicatos, em Atenas.

A chanceler alemã exigiu, num comício partidário, a unificação da idade da reforma e dos períodos de férias na União Europeia, criticando nomeadamente os sistemas vigentes na Grécia, Espanha e Portugal.

«Infelizmente isto mostra bem a Europa que temos, em que os lideres políticos se preocupam mais em divulgar as suas opiniões pessoais do que com a continuação da União Europeia».

O sindicalista lembrou que Portugal já fez uma reforma da segurança social que assegura a sustentabilidade do sistema e que os trabalhadores portugueses são os segundos da Europa que trabalham mais horas por ano, a seguir à Inglaterra.

«É pena que a chanceler alemã não se preocupe antes com o elevado nível de economia clandestina nos países do Sul, que no caso português chega aos 25%».

Na Alemanha, a lei impõe que as empresas concedam aos trabalhadores um mínimo de 20 dias de férias por ano, mas graças a acordos colectivos de trabalho este período é mais alargado em muitas companhias, chegando a ultrapassar os 30 dias úteis.

Quanto à reforma, a idade para a atingir idade vai passar gradualmente dos actuais 65 para os 67 anos, entre 2012 e 2027, em Berlim.

Mas Proença garante que «graças ao factor de sustentabilidade, Portugal vai chegar a essa idade de reforma antes da Alemanha».

Em Portugal, a idade legal de reforma é de 65 anos. Mas os trabalhadores podem trabalhar mais anos e, dessa forma, compensar o que perderiam com o aumento da esperança média de vida, que serve de base à actualização da idade a partir da qual os portugueses se podem reformar.

CGTP: isto é «colonialismo puro»

Da parte da CGTP, o seu secretário-geral acusa a chanceler alemã de «postura de colonialismo puro» e de «ausência de solidariedade».

Para Carvalho da Silva, estas «posturas» defendem que os «ricos ainda sobrevivam num sistema de exploração desastroso à custa da exploração dos países mais pobres». Daí que tenha sugerido a Ângela Merkel que seja «colocada em Portugal num trabalho precário e nas condições de emprego vividas pelos jovens» para ver como é a realidade portuguesa.

O dirigente da CGTP recordou que actualmente para se atingir o «pleno da reforma» é necessário trabalhar, em Portugal, até «muito próximo dos 66 anos».

Quanto às férias, o sindicalista lembrou que na Alemanha o período pode ir até aos 30 dias e que a governante deveria ter comparado salários, horários de trabalho e as condições de vida entre portugueses e alemães.
Redação / VC