A uniformização da idade da reforma na União Europeia, como foi defendida esta quarta-feira pela chanceler alemã, Angela Merkel, não será possível enquanto houver 27 sistemas de pensões diferentes, segundo explicou fonte comunitária à agência Lusa.

A fonte sublinhou que essa possibilidade não pode ser levada em conta enquanto não houver um sistema único de reforma.

Mais: o que o executivo comunitário defende é que se incentive mais pessoas a trabalhar durante mais tempo.

Para Bruxelas, o importante é que nos países em que a esperança de vida é maior as pessoas também trabalhem até mais tarde.

A mesma fonte também alerta para a necessidade de se tomar ainda em consideração a idade efectiva em que as pessoas se reformam que pode dar um quadro diferente do que vem nos textos legais.

Angela Merkel exigiu a unificação da idade da reforma e dos períodos de férias na União Europeia, criticando os sistemas vigentes na Grécia, Espanha e Portugal. A idade da reforma na Alemanha passará gradualmente dos 65 para os 67 anos, entre 2012 e 2029. Em Portugal , a idade legal da reforma é aos 65 anos.

Oposição alemã critica posição de Merkel

Choveram críticas à posição de Merkel em Portugal, da parte da UGT, CGTP, PCP e Bloco de Esquerda. Mas também a oposição alemã apontou o dedo às exigências da chanceler.

«A senhora Merkel aposta de novo no populismo e em agitar os ânimos, em vez de usar argumentos objectivos», disse hoje, em Berlim, o presidente do SPD, Sigmar Gabriel.

O líder social-democrata considerou ainda «vergonhoso» que Angela Merkel «ponha em causa de forma tão leviana o ideal europeu dos seus antecessores» Konrad Adenauer, Willy Brandt, Helmut Schmidt e Gerhard Schroeder.

«Não são os trabalhadores e os pensionistas na Grécia os responsáveis pela crise financeira, mas sim os especuladores nas bolsas de valores e nos grandes bancos de investimento, só que a esses o governo não toca, e bloqueia a introdução de um impostos de transações financeiras».

Os Verdes, outra das forças com assento parlamentar na Alemanha, afirmaram, por seu turno, que a política europeia de Angela Merkel «continua a reduzir-se a frases feitas, ditas na praça pública e em comícios partidários». «As suas críticas a casos isolados, além de arbitrárias, só prejudicam a Grécia, Portugal ou a Espanha, e não reflectem a realidade», disse Cem Ozdemir, presidente dos ambientalistas.

O porta-voz adjunto do governo, Christoph Steegmans, defende as afirmações da chanceler, lembrando que na Cimeira Europeia de 24 e 25 de Março foi decidido harmonizar os sistemas sociais na União Europeia. «A chanceler mantém as suas afirmações, que são tudo menos populismo, são muito sérias».
Redação / VC