Quem trabalha em Oeiras consegue ganhar mais que no resto do país. Pelo menos assim era em 2017. Em Resende, na margem sul do Douro, passava-se o contrário. 

Os 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML) apresentavam valores medianos do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo superiores à referência nacional; sendo que 9 apresentavam também valores acima de 10.000 euros, destacando-se Oeiras (12.935 euros) que apresentou o valor mais elevado do país", diz o Instituto Nacional de Estatística (INE) no boletim "Estatísticas do Rendimento ao nível local – indicadores de rendimento declarado no IRS 2017"

Segundo as estatísticas, 64 dos 308 municípios apresentaram valores medianos do rendimento superiores à referência nacional, dos quais 15 verificaram valores acima de 10.000 euros, designadamente Oeiras, Lisboa, Cascais, Entroncamento, Alcochete, Coimbra, Almada, Porto, Vila Franca de Xira, Évora, Seixal, Aveiro, Marinha Grande, Odivelas e Setúbal.

Em ternos de áreas metropolitanas e regiões os valores de rendimentos medianos mais elevados e superiores à referência nacional estão na Área Metropolitana de Lisboa (10.397 euros), Região de Leiria (8.895 euros), Região de Coimbra (8.826 euros), Alentejo Central (8.792 euros) e Região de Aveiro (8.742 euros). Enquanto as sub-regiões do Alto Tâmega (6.674 euros) e do Tâmega e Sousa (6.984 euros) apresentaram os rendimentos medianos mais baixos, inferiores a 7.000 euros por sujeito passivo.

O coeficiente de Gini, indicador habitualmente utilizado para sintetizar o grau de desigualdade de uma distribuição de rendimentos, apresentou valores superiores à referência nacional em 34 municípios: 18 na região Norte, sete da Região Autónoma dos Açores, quatro na Área Metropolitana de Lisboa, dois na região Centro, dois na Região autónoma da Madeira e um no Algarve.

Rendimento bruto declarado mediano deduzido do IRS liquidado em 2017

Remuneração de mais de três milhões de portugueses está aumentar

Há, pelos menos, 3,6 milhões de portugueses que estão a ganhar mais face a 2017.  Segundo o Instituto Nacional de Estatística, os resultados provisórios obtidos para o primeiro trimestre de 2019 apontam para uma variação de 2,5% em relação ao trimestre homólogo de 2018.

No ano de 2018, a remuneração bruta mensal por trabalhador aumentou 2,9% em relação a 2017, correspondendo a 1.142 euros. 

Com base na informação da Declaração Mensal de Remunerações transmitidas pelas empresas à Segurança Social, o INE inicia a divulgação trimestral de estatísticas sobre remunerações. Esta informação respeita a cerca de 396 mil empresas e a aproximadamente 3,6 milhões de trabalhadores.

"Pretende-se posteriormente completar esta informação, incorporando dados relativos a outros sistemas de Proteção Social", diz ainda o INE.

Acrescenta o INE que "as remunerações variam substancialmente com a atividade económica e com a dimensão da empresa, avaliada em termos de pessoal ao serviço, sendo globalmente crescentes com esta."

Em 2018, a remuneração bruta total mensal por trabalhador situou-se em 773 euros nas atividades da Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca e em 921 nas atividades da Construção. Por seu turno, ascendeu a 2.472 euros nas atividades financeiras e de seguros e a 1.953 euros nas atividades de informação e comunicação. Note-se que nas atividades da Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio, incluída no grupo de atividades das secções B a E, a remuneração ascendeu a 3.021 euros