O capítulo dois, sobre a extensão do domínio hídrico à EDP, vai desaparecer do relatório final da comissão parlamentar de inquérito às rendas excessivas aos produtores de eletricidade, deixando de existir referência a este processo, um dos mais debatidos nas audições.

O corpo do capítulo dois - que antecede a votação das respetivas conclusões e recomendações, que já não chegou a acontecer - foi chumbado (e, por isso, excluído), com os votos contra do PSD e a abstenção do PS e do CDS.

O capítulo relativo à "extensão sem concurso do uso do Domínio Público Hídrico a favor da EDP e metodologia do cálculo da compensação a pagar ao sistema elétrico nacional" contou com os votos favoráveis apenas do BE, PCP e PEV.

Assim, desaparece do relatório final da comissão parlamentar de inquérito a referência aos 27 contratos de concessões hidroelétricas a favor da EDP, bem como a ausência de concurso público neste processo.

A partir do chumbo deste capítulo, o deputado do CDS Hélder Amaral anunciou que não se ia pronunciar sobre mais qualquer capítulo, uma vez que o documento acabava “de morrer".

Trata-se de um dos temas mais debatidos [ao longo das audições da comissão]. Com a não inclusão do epicentro que é a extensão do domínio hídrico – era possível ter feito melhor e ter defendido melhor o interesse público – este relatório fica muito aquém", declarou o deputado.

Em resposta, o deputado do PCP Bruno Dias lamentou que, quando ainda decorre a votação do capítulo dois, já existam "certidões de óbito", acusando o PSD de ser responsável pelo chumbo do capítulo relativo à extensão do domínio público hídrico, e também o CDS de ter contribuído "para a exclusão do capítulo".