O segundo dia da greve dos tripulantes de cabine da SATA levou ao cancelamento no período da manhã, de 24 voos entre as ilhas açorianas e quatro ligações com o exterior, segundo apurou a TVI.

O pessoal de voo impugnou ontem os serviços mínimos, alegando um aumento "desproporcional" em relação à greve de há um mês. Recorde-se que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, está de visita ao arquipélago dos Açores até dia 8, com a visita de sete das nove ilhas na agenda.

Esta paralisação coincide com a visita do chefe de Estado e surpreendeu turistas estrangeiros em Ponta Delgada, como constatou a reportagem da TVI.

Adesão

A empresa remeteu para mais tarde dados sobre a adesão à greve. Já o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil diz que "continua a ter uma adesão de 90%".

Vamos continuar firmes nas convicções. A razão está do nosso lado. E passado um mês da última greve a adesão a esta paralisação é demonstrativa de que os trabalhadores têm razão, pois é muito difícil fazer uma greve quando se é trabalhador".

O dirigente Bruno Fialho adiantou que o sindicato vai enviar um ofício à administração da SATA a informar que estão disponíveis para reunir e dialogar "Vamos enviar este ofício, algo que não era da nossa competência fazer".

Alteração de reservas

Na semana passada, a companhia açoriana alertou os passageiros para o pré-aviso de greve, informando da possibilidade de alteração da viagem ou do reembolso da mesma.

Ao todo, foram contactados cinco mil passageiros que tinham voos previstos para hoje, “para poderem alterar as suas reservas”, informou o porta-voz da SATA, António Portugal, à agência Lusa.

85% optaram por alterar reservas, primeiro para os serviços mínimos e depois para outras datas”.

Reivindicações da greve

A paralisação foi convocada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, um mês depois de uma outra greve, em maio, que deixou em terra mais de 1.300 passageiros. Nessa altura, o sindicato falou numa adesão de 100%, número diferente do avançado na ocasião pelo grupo SATA (66,9%).

O incumprimento de vários pontos do clausulado do acordo de empresa e a reivindicação de melhores condições de trabalho são as razões que levaram os trabalhadores a tomar novamente esta decisão