O Crédito Agrícola lucrou 59,7 milhões de euros no ano passado, segundo as contas agora conhecidas, e quer contratar mais trabalhadores.

A melhoria no resultado líquido é  de 10% face aos 54,1 milhões de euros contabilizados em 2015.

O presidente do banco cooperativo, Licínio Pina, salientou na apresentação de resultados, em Lisboa, a "capacidade e disponibilidade" demonstradas pela instituição para dar resposta às necessidades dos seus clientes, num "contexto de incerteza que paira sobre alguns dos principais bancos" que operam em Portugal.

No negócio bancário, o lucro ascendeu a 72,1 milhões de euros, mais 28% do que no ano anterior.

Agências mantêm-se, mais contratações

O presidente do Crédito Agrícola assegurou ainda que a instituição vai contrariar o movimento generalizado de fecho de balcões e de redução de pessoal dos concorrentes, pretendendo manter a rede e recrutar trabalhadores.

A rede vai manter-se e vamos aumentar o número de colaboradores".

Durante o ano passado, o Crédito Agrícola encerrou apenas três balcões, passando a contar com um total de 672 agências, naquela que é a segunda maior rede do sistema bancário português.

O caso Montepio

Quanto às polémicas que envolvem o Montepio, Lícino Pina não quis alongar-se. Disse apenas acreditar que a gestão do banco mutualista e o regulador estão a trabalhar para colocar a entidade no bom caminho.

Estou convicto de que as pessoas que estão no banco e no regulador estão a tentar fazer o melhor para o banco e para o país".

A associação e o banco mutualistas têm estado em foco na comunicação social nos últimos tempos, com uma sucessão de notícias negativas, como a constituição de António Tomás Correia (presidente da MGAM - Montepio Geral Associação Mutualista) como arguido num processo em que é suspeito de ter recebido indevidamente 1,5 milhões de euros do empresário da construção civil José Guilherme.

Crédito Agrícola passa a sociedade anónima

O banco apresentou há três meses ao Banco de Portugal uma proposta para alteração do regime jurídico que visa transformar a Caixa Central, entidade de topo do grupo, em sociedade anónima. Espera-se que o processo fique concluído ainda este ano.

"Esta proposta não altera a natureza cooperativa do grupo", destacou Licínio Pina, explicando que a transformação em sociedade anónima vai permitir à Caixa Central aceder a novas formas de financiamento junto do mercado de capitais.

Ainda assim, e apesar de esta alteração abrir a possibilidade de entrada de novos acionistas no grupo, Licínio Pina vincou que "as caixas agrícolas terão sempre o controlo do capital", apontando para a possibilidade de estas entidades subscreverem ações preferenciais.