A Caixa Geral de Depósitos teve prejuízos de cerca de 39 milhões de euros entre janeiro e março deste ano. Uma melhoria face ao mesmo período de 2016, mas ainda assim um resultado negativo. O presidente executivo do banco público Paulo Macedo não está surpreendido com estes resultados. 

Os resultados estão em linha com o plano estratégico, revelam rácios de capital bastante adequados e uma boa evolução em termos de liquidez. Há também uma melhoria da margem e do produto bancário".

Em conferência de imprensa, Paulo Macedo queixou-se da tentativa de aproveitamento político que tem existido devido ao fecho de balcões do banco público, destacando que o foco da gestão é servir os clientes.

Todos os dias, o que nós vemos é diferentes atores políticos a quererem arrastar a CGD para a arena política. Diferentes partidos e autarcas. Mas a CGD tem é que servir os seus clientes. A sua principal responsabilidade é com os seus depositantes. Não com partidos nem autarquias"

Paulo Macedo garantiu que, quanto ao encerramento de agências, "a CGD não recebeu qualquer pedido do Governo para ter mais cuidado com esta ou aquela situação". "Não teve absolutamente nenhuma pressão, nem foi preciso resistir, porque não houve pressão. Quando foi decidido o fecho das agências não se sabia qual era a cor do partido",.

O caso do balcão de Almeida

A propósito do polémico fecho do balcão da CGD em Almeida, no distrito da Guarda, - um dos 61 na lista para encerrar em Portugal -, o presidente do banco público, Paulo Macedo, notou na mesma conferência que a maioria das contas desse balcão são de pessoas de fora da sede do concelho. 

As contas que existem no balcão de Almeida, 70% são fora da sede do concelho. Por outro lado, também não é nenhum segredo, porque já apareceu na comunicação social, a câmara de Almeida trabalha com outro banco. Os salários dos trabalhadores da câmara são pagos por outra entidade e nós respeitamos perfeitamente esse posicionamento da câmara de Almeida".

Uma semana depois de o Marcelo Rebelo de Sousa ter recebido os presidentes do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, o Presidente recebeu o autarca de Almeida e espera que o diálogo entre as duas partes de frutos.

Resultados em detalhe

Foi na conferência de imprensa de apresentação das contas que o presidente da Caixa fez a sua análise aos resultados. Já no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários pode ler-se que "o resultado líquido do trimestre foi negativo, de -38,6 milhões de euros, impactado por custos não recorrentes de 58 milhões de euros (42,1 milhões de euros líquido de impostos). O resultado líquido recorrente atingiu 3,5 milhões de euros".

No primeiro trimestre do ano passado, e por comparação, os prejuízos chegaram aos 74,2 milhões. A redução a que agora assistimos é, portanto, de cerca de metade.

O produto bancário (o conjunto das receitas recebidas, entre juros, comissões, trading e operações interbancárias, por exemplo) progrediu face ao primeiro trimestre de 2016 em 65,2%, (+193,2 milhões de euros), situando-se em 489,6 milhões. A margem financeira subiu 50,8 milhões de euros e os resultados em operações financeiras 178,9 milhões.

Foi durante estes três primeiros meses de 2017 que o banco público concluiu as duas primeiras fases do Plano de Recapitalização acordado entre o Estado e a Comissão Europeia, o que permitiu aumentar o rácio de capital total para 14,2%.

O balanço da CGD foi durante o trimestre impactado pelas operações de recapitalização referidas, que constituíram a principal causa para o aumento de ativo líquido verificado (+3.056 milhões de euros) face a dezembro de 2016".

A relação de crédito face a depósitos (rácio de transformação) estava nos 88,1% no final de março, "refletindo a forte capacidade de retenção de clientes da CGD, mesmo num ambiente de taxas de remuneração de depósitos muito baixas".

A CGD releva que os recursos totais de clientes na atividade doméstica aumentaram 1.105 milhões de euros (+1,6%) face a dezembro de 2016. Alcançaram os 68.397 milhões de euros, "fortemente influenciados pela evolução favorável dos depósitos de clientes", que aumentaram 1.122 milhões.

A CGD manteve assim a sua posição de liderança no mercado nacional, com uma quota de depósitos totais de 28% em fevereiro de 2017, atingindo a dos depósitos de particulares 31%".

Já as comissões líquidas caíram 3,7% para 108,7 milhões de euros.

A CGD baixou os custos de fornecimento e serviços de terceiros e amortizações, mas no total, os custos operativos aumentaram 16,0%. A explicação está no impacto dos custos com pessoal não recorrente, no montante de 58 milhões de euros, o que se traduziu em 42,1 milhões de euros líquidos de impostos.

Isso aconteceu dado o provisionamento do programa de pré-reforma e de rescisões por mútuo acordo que o banco do Estado está a levar a cabo. "Excluindo aquele impacto, os custos operativos teriam diminuído 3,5%", segundo as contas da Caixa.