Cerca de 45% das empresas analisadas na Europa Ocidental e do Reino Unido preveem ou estão a considerar reduções de pessoal como consequência do impacto da Covid-19 nos seus negócios, seja por layoff ou redução de efetivos, segundo um estudo de mercado da Willis Towers Watson junto de mil organizações.

A mesma percentagem contrasta com aquelas que afirma não ter essa intenção.

Nas regiões analisadas, 64% das empresas consultadas reconhecem que a pandemia terá um impacto negativo relevante no seu negócio nos próximos seis meses, 51% acreditam que este se estenderá ao longo do próximo ano e 17% que essas consequências se sentirão inclusive ao longo do exercício de 2022.

No estudo da Willis Towers Watson foram analisados os efeitos que a pandemia está a ter na gestão dos custos laborais e nas políticas de compensação, e como as organizações os estão a enfrentar. Estas são algumas das conclusões de maior relevo deste estudo:

Dos resultados deste estudo conclui-se que metade das organizações (50%) congelou, adiou (55%) ou suspendeu (47%) as novas contratações. Além destas, 8% das empresas inquiridas têm em mãos planos de reduzir as contratações e 18% estão a considerar fazê-lo. Além disso, quase metade das empresas reduziu, ou está a planeá-lo, o número de colaboradores com contratos de carácter temporário.

O estudo indica ainda que os empregos relacionados com o trabalho manual, a cadeia de produção e o suporte ao negócio são os mais suscetíveis de sofrerem cortes nos próximos 3 meses.

“Em matéria de remuneração, quase metade (48%) das empresas consultadas está a considerar ou já aplicou o diferimento ou redução de aumentos salariais. Mais concretamente, 17% informam que já congelaram salários e 26% dizem que estão a planear fazê-lo ou a considerar essa possibilidade. Além disso, cerca de 12% realizaram ou pretende realizar reduções salariais, mas 66% não planeia ou considera vir a fazê-lo”, como refere Sandra Bento, Associate Director da Willis Towers Watson.

Gestão das componentes retributivas

De acordo com o estudo da Willis Towers Watson, de momento, apenas 10% das organizações consultadas reduziram temporariamente o salário fixo de alguns dos seus diretores/administradores executivos, como consequência da pandemia. E, das restantes, só 4% estão a planear fazê-lo.

Quanto às empresas com políticas de bónus anual, seja atribuídos a cargos de direção ou a outro tipo de colaboradores, só 25% manifestam que a pandemia não terá qualquer impacto no modelo, enquanto 47% (no que se refere aos cargos de direção) e 46% (no que se refere aos restantes colaboradores) já realizaram ajustes nos objetivos aos quais vinculam o bónus anual.

Sobre a natureza destes ajustes, quase metade das organizações (43%) ainda não os definiram. Em relação às empresas que já tomaram decisões a este respeito, destacam-se as que mantêm os objetivos aprovados, mas aplicarão critérios discricionais ao terminar este período (28%), as que decidiram formalmente atrasar a seleção de objetivos (20%) e as que modificaram as métricas do modelo (13%).

Já nos incentivos a longo prazo, uma clara maioria das organizações (82%) afirma que a pandemia não teve impacto no desenho dos planos baseados no cumprimento de objetivos. No que se refere aos incentivos atribuídos na forma de ações, 27% das empresas pretende mantê-los tal como estavam inicialmente definidos, sendo que 12% inclusive já os atribuíram este ano.

Outro dado significativo deste estudo prende-se com o facto de 68% das direções das empresas inquiridas ainda não terem discutido internamente o tema do impacto da Covid-19 na política de remunerações da organização.

Para Sandra Bento, estes dados vêm mostrar que “a crise ocasionada pela Covid-19 apenas ampliou e acelerou o facto de que as organizações enfrentam incertezas, ambiguidades e transformações generalizadas à medida que avançamos para um mundo mais global e digital. A maneira como as organizações lideram e gerenciam o novo normal é fundamental para o desempenho dos negócios e a capacidade de permanecerem competitivas e relevantes”.

É, por isso, na sua opinião, “importante avaliar em que fase cada uma se encontra. Os planos desenvolvidos pela Willis Towers Watson refletem a nossa perspetiva em três fases- gestão da crise, recuperar a estabilidade e o pós-crise - que as empresas irão atravessar à medida que os efeitos da Covid-19 evoluem. Portanto o facto, de haver uma elevada percentagem de empresas que ainda não incluiu o tema das remunerações no seu plano é um sinal da fase em que se encontra, na certeza que é um tema que irá integrar a agenda mais cedo ou mais tarde”.

/ ALM